Oluwatosin Tolulope Ajidahun destaca que a reposição hormonal masculina, amplamente utilizada para tratar sintomas de baixa testosterona, desperta preocupação crescente na medicina reprodutiva, especialmente entre homens que desejam ter filhos. Embora traga benefícios significativos para o bem-estar, energia, libido e saúde óssea, a terapia de reposição de testosterona pode prejudicar a fertilidade masculina, um efeito muitas vezes desconhecido pelo público em geral. Essa questão exige atenção cuidadosa dos profissionais que lidam tanto com endocrinologia quanto com reprodução humana.
Como a testosterona exógena afeta a produção de espermatozoides
A testosterona é fundamental para a espermatogênese, processo de produção dos espermatozoides que ocorre nos testículos. Entretanto, quando administrada externamente, seja por injeções, géis ou implantes, ela reduz a produção do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo-estimulante (FSH), ambos essenciais para estimular as células testiculares responsáveis pela formação dos gametas masculinos.
Segundo Tosyn Lopes, a administração de testosterona exógena faz o organismo entender que há níveis hormonais suficientes no sangue, levando à inibição do eixo hipotálamo-hipófise-testicular. Com isso, a produção de espermatozoides diminui ou até mesmo cessa completamente, situação conhecida como azoospermia. Muitos homens desconhecem esse efeito colateral e podem comprometer a própria fertilidade sem ter recebido orientação adequada.
Sinais de hipogonadismo e necessidade de avaliação médica
É importante diferenciar homens com hipogonadismo verdadeiro, condição em que há produção insuficiente de testosterona, daqueles com quedas leves relacionadas à idade ou ao estilo de vida. Sintomas como cansaço excessivo, diminuição da libido, perda de massa muscular e alterações no humor podem sugerir déficit hormonal, mas exigem confirmação laboratorial antes de qualquer decisão terapêutica.

Conforme explica Oluwatosin Tolulope Ajidahun, em homens jovens que desejam ter filhos, a avaliação detalhada é fundamental. A análise inclui dosagens hormonais, avaliação da função testicular e estudo do sêmen. Em muitos casos, fatores como obesidade, estresse, uso de certos medicamentos ou consumo excessivo de álcool podem estar na origem dos sintomas, e podem ser tratados sem a necessidade de reposição hormonal.
Alternativas para manter a fertilidade durante o tratamento
Para homens diagnosticados com hipogonadismo e desejo reprodutivo, existem alternativas terapêuticas que preservam a fertilidade. Medicamentos como gonadotrofinas ou o citrato de clomifeno estimulam a produção natural de testosterona e, ao mesmo tempo, mantêm o estímulo necessário para a espermatogênese. Esses tratamentos são considerados em casos onde há desejo de paternidade, evitando o bloqueio hormonal provocado pela testosterona exógena.
Tosyn Lopes enfatiza que interromper o uso de testosterona não garante retorno imediato da produção espermática. Em alguns casos, a recuperação pode levar meses ou até anos, dependendo do tempo de uso e da sensibilidade individual. Por isso, homens que pensam em ter filhos devem sempre discutir as opções com um especialista em reprodução humana antes de iniciar qualquer tratamento hormonal.
Orientação médica e limites do uso da reposição hormonal
De acordo com Oluwatosin Tolulope Ajidahun, o uso de reposição hormonal masculina deve ser feito exclusivamente sob orientação médica, com acompanhamento periódico de exames laboratoriais e avaliação dos sintomas. O tratamento não é indicado indiscriminadamente para qualquer redução de testosterona, sendo fundamental investigar as causas subjacentes antes de prescrever hormônios. Homens em idade fértil ou que pretendem ter filhos no futuro também devem ser informados sobre os riscos para a fertilidade.
Tosyn Lopes comenta que a conscientização sobre os impactos da testosterona exógena ainda é baixa entre os pacientes e até mesmo entre alguns profissionais da saúde. A informação adequada é a chave para evitar frustrações futuras e proteger a saúde reprodutiva masculina. Portanto, toda decisão sobre reposição hormonal deve considerar não apenas o alívio dos sintomas, mas também as implicações a longo prazo na capacidade de gerar filhos.
Autor: Maxim Fedorov
As imagens divulgadas neste post foram fornecidas por Oluwatosin Tolulope Ajidahun, sendo este responsável legal pela autorização de uso da imagem de todas as pessoas nelas retratadas.


