O Governo Federal abriu a concessão do Lote 2 da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Porto Velho, Rondônia, com um modelo voltado à restauração ambiental e ao desenvolvimento de atividades relacionadas ao mercado de carbono. O edital da Concorrência Pública nº 03/2026 foi lançado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
A área incluída no projeto tem 39.276,10 hectares. Ao longo do contrato, a previsão é recuperar aproximadamente 6 mil hectares, combinando conservação ambiental, restauração produtiva de áreas degradadas e fortalecimento de cadeias ligadas à produção de sementes e mudas nativas.
De acordo com o Serviço Florestal Brasileiro, a proposta foi estruturada para ampliar o alcance das concessões florestais. O projeto não está concentrado apenas no manejo de produtos madeireiros e incorpora ações de recuperação ambiental e possibilidades de geração de créditos de carbono.
Como funciona a concessão da Flona do Bom Futuro
A concessão da Flona do Bom Futuro terá duração de 40 anos, contados a partir da aprovação do Plano de Restauração Florestal. Esse plano será o instrumento que dará início à contagem do contrato e deverá orientar a execução das atividades previstas para a recuperação das áreas incluídas no lote.
Na prática, a futura concessionária deverá atuar em uma área federal com objetivos econômicos e ambientais combinados. O projeto prevê a recuperação de áreas degradadas, a conservação da floresta e o desenvolvimento de atividades associadas à restauração, incluindo a produção de sementes e mudas de espécies nativas.
A geração de créditos de carbono é outro eixo do edital. Esses créditos estão relacionados às iniciativas de restauração e conservação previstas para a área, conectando a gestão da floresta a um mercado que busca associar redução ou remoção de emissões a projetos ambientais. As condições detalhadas da concorrência estão disponíveis na página oficial do edital da Flona do Bom Futuro.
Distribuição dos recursos e desenvolvimento territorial
Os recursos arrecadados com a concessão serão distribuídos entre diferentes instituições e entes públicos. Estão incluídos o Serviço Florestal Brasileiro, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Governo de Rondônia, o município envolvido e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal.
A divisão indicada no projeto relaciona a exploração econômica autorizada à destinação de recursos para órgãos responsáveis pela gestão florestal, pela conservação ambiental e pelo desenvolvimento de políticas públicas. A participação do Governo de Rondônia e do município também conecta a concessão às dinâmicas territoriais de Porto Velho e do estado.
Esse desenho amplia a relevância do projeto para além dos limites da Floresta Nacional do Bom Futuro. Além de estabelecer obrigações para a área concedida, a iniciativa pode movimentar atividades ligadas à restauração, à produção de insumos florestais e à organização de projetos relacionados ao mercado de carbono.
Quando serão entregues as propostas
O edital foi publicado em 10 de setembro de 2026. Empresas interessadas poderão encaminhar pedidos de esclarecimento sobre as regras da concorrência até 30 de outubro de 2026, conforme o cronograma divulgado pelo Serviço Florestal Brasileiro.
A entrega dos envelopes com os documentos de habilitação e as propostas está prevista para 4 de novembro de 2026. A sessão ocorrerá na sede da B3, em São Paulo, local utilizado para a apresentação formal dos documentos da disputa.
O cronograma representa a próxima etapa de um projeto que combina concessão pública, restauração florestal e atividades econômicas associadas à conservação. Até a data prevista para a entrega, as empresas interessadas poderão analisar o edital e seus anexos, além de apresentar questionamentos dentro do prazo estabelecido.
Por que o projeto chama atenção
A concessão da Flona do Bom Futuro se diferencia de modelos concentrados exclusivamente na exploração de produtos madeireiros por incluir metas de recuperação ambiental e mecanismos associados à geração de créditos de carbono. A previsão de restauração de aproximadamente 6 mil hectares coloca a recuperação de áreas degradadas no centro da estratégia.
O projeto também envolve uma cadeia de atividades que começa na produção de sementes e mudas nativas e se conecta à implantação de ações de restauração. Com contrato de quatro décadas, a proposta estabelece um horizonte de longo prazo para a execução do Plano de Restauração Florestal e para o acompanhamento das obrigações previstas no edital.
Localizada em Porto Velho, a Floresta Nacional do Bom Futuro passa, assim, a integrar uma iniciativa que reúne conservação, restauração produtiva e mercado de carbono. A evolução da concorrência dependerá da apresentação das propostas e do cumprimento das etapas previstas no edital oficial.


