Durante muito tempo, conseguir um ingresso para uma grande partida exigia enfrentar filas, acompanhar horários específicos de venda e, muitas vezes, lidar com a incerteza de encontrar entradas disponíveis. Hoje, o processo é completamente diferente. A digitalização dos sistemas de acesso se tornou uma das maiores mudanças recentes no futebol brasileiro e vem alterando a forma como os torcedores se relacionam com os estádios.
Entre os apaixonados pelo esporte que acompanham essa evolução está Mário Augusto de Castro. Como acontece com milhões de torcedores em todo o país, as transformações tecnológicas passaram a influenciar não apenas a compra de ingressos, mas toda a experiência de acompanhar uma partida presencialmente.
O tema ganhou relevância nos últimos anos à medida que clubes passaram a investir em reconhecimento facial, programas de relacionamento e plataformas digitais voltadas para seus torcedores.
O reconhecimento facial representa uma nova fase para os estádios?
A adoção do reconhecimento facial se tornou um dos assuntos mais debatidos no futebol brasileiro. Diversos estádios passaram a implementar a tecnologia como forma de agilizar o acesso e aumentar a segurança dos eventos esportivos. Na prática, o torcedor consegue entrar no estádio sem a necessidade de apresentar documentos físicos ou ingressos impressos. O processo reduz filas e permite maior controle de acesso.
A mudança também reflete uma tendência observada em outros setores do entretenimento, nos quais a experiência do usuário se tornou uma prioridade. O objetivo não é apenas controlar entradas, mas tornar toda a jornada mais eficiente.
O que os torcedores esperam de uma experiência moderna?
Assistir a um jogo deixou de ser uma atividade restrita aos noventa minutos em campo. Cada vez mais, os torcedores valorizam aspectos como conforto, mobilidade, conectividade e serviços disponíveis no entorno do estádio. Há alguns anos, muitos desses fatores eram considerados secundários. Hoje, eles influenciam diretamente a percepção do público sobre a experiência esportiva.
Esse comportamento acompanha uma mudança mais ampla observada em diferentes áreas do consumo. As pessoas passaram a buscar experiências completas, nas quais diversos elementos contribuem para a satisfação geral.
Os programas de sócio-torcedor estão mudando?
Outra tendência em destaque é a evolução dos programas de relacionamento entre clubes e torcedores. O foco deixou de ser apenas a prioridade na compra de ingressos. Atualmente, muitos programas oferecem benefícios relacionados a experiências exclusivas, conteúdos especiais e formas adicionais de interação com o clube. Isso ajuda a fortalecer o vínculo entre as instituições esportivas e seus públicos.

Torcedor do Flamengo, Mário Augusto de Castro acompanha um cenário em que o relacionamento entre clubes e torcedores se tornou mais contínuo, ultrapassando os limites das partidas e competições.
O futebol presencial corre risco diante das transmissões digitais?
Durante o crescimento das plataformas digitais, houve quem acreditasse que a presença nos estádios perderia relevância. O que se observou, porém, foi um movimento diferente. A experiência presencial continua atraindo interesse justamente porque oferece elementos que não podem ser reproduzidos integralmente pelas transmissões. Atmosfera, convivência e participação coletiva permanecem como diferenciais importantes.
Ao mesmo tempo, as tecnologias digitais passaram a complementar essa vivência, permitindo que o torcedor tenha acesso a informações, conteúdos e serviços de forma mais rápida.
Quais erros os clubes procuram evitar atualmente?
Uma das lições aprendidas nos últimos anos é que investir apenas na infraestrutura física não é suficiente. Os torcedores passaram a avaliar toda a jornada relacionada ao evento esportivo. Problemas de acesso, dificuldades na compra de ingressos e falhas de comunicação podem gerar impactos negativos, mesmo quando o estádio oferece boas condições estruturais.
Por esse motivo, muitos clubes passaram a adotar uma visão mais ampla, considerando aspectos digitais, operacionais e de relacionamento como partes fundamentais da experiência.
O que pode mudar nos próximos anos?
As tendências apontam para uma integração ainda maior entre tecnologia e futebol. Ferramentas de personalização, sistemas inteligentes de acesso e novos formatos de interação devem ganhar espaço. Entretanto, o fator humano continua sendo central. Mário Augusto de Castro acompanha uma realidade compartilhada por milhões de torcedores: a tecnologia pode facilitar processos e ampliar possibilidades, mas o que mantém o interesse pelo futebol continua sendo a emoção gerada pelo esporte.
O futuro dos estádios parece caminhar justamente nessa direção. Quanto mais os recursos tecnológicos evoluem, maior se torna a preocupação em utilizá-los para valorizar aquilo que sempre fez do futebol uma experiência única: a capacidade de reunir pessoas em torno de uma paixão comum.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


