Leilão está marcado para novembro e reunirá mais de 70 obras de artistas do Oriente Médio e do Norte da África; iniciativa marca 20 anos da presença da casa de leilões nos Emirados Árabes Unidos e reforça a expansão do mercado internacional de arte na região
Christie’s prepara primeira venda de belas-artes em Abu Dhabi
A Christie’s prepara para 1º de novembro de 2026 seu primeiro leilão de belas-artes realizado em Abu Dhabi. Intitulado “MAWASIM: 20 Years of Modern and Contemporary Middle Eastern Art”, o evento acontecerá no The Abu Dhabi EDITION e reunirá mais de 70 obras produzidas ao longo de seis décadas. A venda foi anunciada pela própria casa de leilões como parte das comemorações dos 20 anos de sua chegada aos Emirados Árabes Unidos. (Christie’s)
A iniciativa representa uma mudança importante dentro da atuação da Christie’s no mercado regional. A empresa realizou sua primeira venda nos Emirados em Dubai, em 2006, e desde então ampliou sua presença junto a colecionadores, galerias e instituições culturais do Oriente Médio. Agora, ao levar uma grande venda de arte para Abu Dhabi, a companhia busca inserir a cidade ainda mais diretamente no circuito internacional de negociação de obras modernas e contemporâneas. (Christie’s)
O catálogo do leilão terá trabalhos provenientes de diferentes países, incluindo Egito, Irã, Iraque, Líbano, Marrocos, Tunísia, Palestina, Síria, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. A seleção também inclui obras associadas à Dalloul Collection, de Beirute, e à Barjeel Art Foundation, de Sharjah, instituições que possuem acervos relevantes para a preservação e divulgação da produção artística árabe. (Christie’s)
Obras de artistas do Oriente Médio estarão entre os destaques
Entre os nomes presentes no leilão estão Paul Guiragossian, Samia Halaby, Mohamed Melehi, Nadia Saikali, Marwan Kassab-Bachi, Inji Efflatoun e Nabil Nahas. A variedade de artistas e períodos permite que a venda apresente diferentes fases da produção moderna e contemporânea do Oriente Médio e do Norte da África, além de colocar obras de artistas da região diante de um público internacional de compradores. (Christie’s)
Um dos destaques é Noces (Wedding), de Paul Guiragossian, produzida entre 1958 e 1959. A obra tem estimativa de venda entre US$ 300 mil e US$ 500 mil. Também estão previstas no catálogo Yesterday, de Samia Halaby, avaliada entre US$ 200 mil e US$ 300 mil, e A30, de Mohamed Melehi, com estimativa entre US$ 100 mil e US$ 150 mil. (Aletihad Newspaper)
Outro conjunto de obras reforça a diversidade da oferta. Kopf (Head), de Marwan Kassab-Bachi, tem estimativa entre US$ 200 mil e US$ 300 mil, enquanto Inka Dinka Doo, de Nabil Nahas, aparece com expectativa de US$ 300 mil a US$ 400 mil. Os valores representam estimativas pré-leilão e podem sofrer alterações durante a disputa entre compradores. (Aletihad Newspaper)
Além da venda propriamente dita, a Christie’s programou uma exposição prévia entre 28 de outubro e 1º de novembro. Parte das obras também passará por apresentações em Nova York, Paris e Londres antes de chegar a Abu Dhabi, estratégia que amplia a exposição internacional do catálogo e permite que potenciais compradores conheçam os trabalhos antes do pregão. (Christie’s)
Leilão reforça o papel econômico do mercado de arte
O movimento da Christie’s ocorre em um momento de expansão da infraestrutura cultural de Abu Dhabi. O leilão será realizado pouco antes da primeira edição da Frieze Abu Dhabi, prevista para novembro, e da abertura do Guggenheim Abu Dhabi, programada para dezembro. A concentração de grandes eventos culturais cria uma agenda capaz de atrair artistas, colecionadores, galerias, investidores e instituições internacionais para o emirado. (Christie’s)
Do ponto de vista econômico, a realização de grandes leilões movimenta mais do que a venda individual das obras. O mercado envolve casas de leilão, galerias, especialistas, avaliadores, colecionadores, instituições culturais, serviços financeiros, seguros, transporte especializado e armazenamento. A chegada de eventos desse porte também pode contribuir para aumentar a visibilidade de artistas e obras que anteriormente tinham menor presença nas principais praças internacionais.
A escolha de Abu Dhabi como sede do leilão também mostra como o mercado internacional de arte vem ampliando sua presença geográfica. Em vez de concentrar todas as grandes negociações em centros tradicionais como Londres, Nova York, Paris e Hong Kong, as principais casas de leilões têm buscado estabelecer relações mais próximas com novos grupos de colecionadores e mercados regionais.
Nesse cenário, a venda de novembro terá importância não apenas cultural, mas também comercial. Ao colocar dezenas de obras de artistas do Oriente Médio e do Norte da África diante de compradores internacionais, a Christie’s cria uma nova oportunidade para medir a demanda por esse segmento e observar os preços alcançados no mercado secundário.
Abu Dhabi amplia calendário cultural e atrai colecionadores
A realização do leilão acontece em uma temporada particularmente movimentada para Abu Dhabi. Segundo a Christie’s, a cidade vive um novo momento de desenvolvimento de seu ecossistema artístico e cultural, reunindo artistas, instituições, colecionadores e público internacional. A programação da casa de leilões foi planejada para coincidir com outros eventos importantes do calendário cultural do emirado. (Christie’s)
A Frieze Abu Dhabi será realizada entre 19 e 22 de novembro e terá 84 galerias participantes, enquanto o Guggenheim Abu Dhabi tem abertura prevista para 11 de dezembro. A sequência de eventos amplia a exposição internacional da cidade e cria um calendário concentrado de atividades relacionadas à arte, exposições, comércio e turismo cultural. (The National)
Para o mercado de arte, essa concentração pode favorecer a circulação de compradores e profissionais especializados. Colecionadores que viajam para acompanhar uma feira ou visitar uma instituição cultural podem também participar de exposições e leilões, criando conexões entre diferentes segmentos da cadeia econômica ligada à arte.
A Christie’s chega a esse novo momento após duas décadas de atuação nos Emirados. A empresa afirma que, desde sua primeira venda no país em 2006, acompanhou a evolução da valorização internacional dos artistas do Oriente Médio. O leilão de novembro representa, portanto, uma nova etapa dessa estratégia regional, agora com Abu Dhabi como palco de uma grande venda de arte pela primeira vez. (Christie’s)


