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Mercado Lance Notícias > Blog > Notícias > Veja com Ernesto Kenji Igarashi o que ninguém percebe sobre o desgaste mental em operações sensíveis!

Veja com Ernesto Kenji Igarashi o que ninguém percebe sobre o desgaste mental em operações sensíveis!

25 de maio de 2026
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7 Min de leitura
Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

De acordo com Ernesto Kenji Igarashi, ex-coordenador da equipe tática da Polícia Federal, existe um custo no trabalho de segurança operacional que raramente aparece nos relatórios de desempenho, nas conversas de briefing ou nas avaliações anuais de competência: o custo psicológico de operar repetidamente em ambientes de alto risco, com responsabilidade sobre vidas humanas, em condições de pressão constante e, muitas vezes, em isolamento emocional. 

Contents
Por que o desgaste mental é sistematicamente ignorado no setor de segurança operacional?Quais são os sinais de desgaste mental que líderes e colegas precisam aprender a reconhecer?Como organizações de segurança podem criar estruturas de suporte que protejam seus profissionais sem comprometer a cultura operacional?

Este artigo traz à superfície o que a cultura operacional prefere não ver, com o propósito de abrir um debate que o setor precisa ter.

Por que o desgaste mental é sistematicamente ignorado no setor de segurança operacional?

A resposta mais honesta para essa questão começa pela cultura. O profissional de segurança, especialmente aquele que atua em operações sensíveis de alto risco, é formado num ambiente que celebra a resistência física e psicológica como virtude central. Demonstrar vulnerabilidade, comunicar dificuldade em lidar com as demandas emocionais do trabalho ou admitir que os eventos vivenciados deixaram marcas psicológicas é frequentemente interpretado, tanto pelo próprio profissional quanto pelos seus pares e líderes, como sinal de inadequação para a função. Essa cultura, por mais compreensível que seja em termos de formação de identidade profissional, cria um ambiente no qual os sintomas de desgaste mental são ativamente suprimidos em vez de tratados.

O segundo fator que Ernesto Kenji Igarashi expõe é a ausência de linguagem e de mecanismos estruturados para o reconhecimento e o manejo do desgaste psicológico em contextos operacionais. Organizações de segurança que investem significativamente em treinamento técnico, equipamentos e protocolos operacionais raramente possuem programas estruturados de suporte psicológico, mecanismos de identificação precoce de sinais de esgotamento ou líderes capacitados para reconhecer e intervir antes que o quadro se deteriore. Essa lacuna estrutural não é produto de má vontade: é resultado de uma tradição organizacional que simplesmente não incluiu o bem-estar psicológico como variável operacional relevante.

O impacto cumulativo de eventos aparentemente menores é um terceiro elemento frequentemente subestimado. Já que, o foco do debate sobre trauma no setor de segurança tende a se concentrar em eventos de alta magnitude, como tiroteios, perdas de protegidos ou situações de reféns. Mas o desgaste mental mais prevalente nos profissionais do setor é resultado da acumulação de eventos de menor intensidade, mas alta frequência: a tensão permanente de monitorar ambientes de risco, a responsabilidade contínua pela segurança de outra pessoa, as decisões tomadas em frações de segundo cujas consequências podem ser irreversíveis e a ruptura constante dos ciclos naturais de sono e recuperação. Segundo Ernesto Kenji Igarashi, esse tipo de desgaste cumulativo é mais difícil de identificar precisamente porque nenhum evento isolado parece suficientemente grave para justificar uma intervenção.

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Quais são os sinais de desgaste mental que líderes e colegas precisam aprender a reconhecer?

A mudança de padrão comportamental é o sinal mais confiável e também o mais subutilizado como indicador de desgaste psicológico. Um profissional que era comunicativo e passa a se isolar, que demonstrava iniciativa e se torna passivo, que mantinha alto nível de atenção e começa a apresentar lapsos de concentração ou erros incomuns, ou que era emocionalmente estável, e passa a oscilar entre irritabilidade e apatia, está comunicando através do comportamento o que não consegue ou não se permite verbalizar. Nesse quesito, líderes que conhecem seus operadores suficientemente bem para perceber essas mudanças e que criam espaços seguros para a conversa são a primeira linha de intervenção precoce mais eficiente disponível em qualquer organização.

Como destaca Ernesto Kenji Igarashi, a hipervigilância fora do contexto operacional é outro sinal relevante, pois, os profissionais que não conseguem desengajar os mecanismos de alerta mesmo fora do serviço, que têm dificuldade de relaxar em ambientes sociais, que dormem mal por manter o estado de prontidão ativo mesmo durante o repouso, estão apresentando sintomas de um sistema nervoso que não encontrou o caminho de volta para o equilíbrio depois de longos períodos de ativação intensa. Esse padrão, quando mantido por tempo suficiente, produz deterioração cognitiva, comprometimento das relações pessoais e, frequentemente, o recurso a substâncias como álcool como mecanismo de autorregulação.

Como organizações de segurança podem criar estruturas de suporte que protejam seus profissionais sem comprometer a cultura operacional?

O ponto de partida é a desmistificação do cuidado psicológico como incompatível com a identidade operacional. Forças militares e policiais de países com tradição mais avançada no manejo do bem-estar de seus profissionais há muito documentaram que o suporte psicológico estruturado não enfraquece equipes operacionais: fortalece-as, reduzindo o desgaste cumulativo, encurtando os ciclos de recuperação após eventos de alto impacto e mantendo os profissionais operacionalmente eficientes por períodos de carreira significativamente maiores. Esse argumento de desempenho, mais do que qualquer argumento humanitário, é o que tende a criar abertura nas culturas mais resistentes.

Programas de suporte que funcionam num modelo de confidencialidade genuína, com acesso fácil e desvinculado dos canais de avaliação de desempenho, são muito mais utilizados do que os modelos em que o profissional precisa reportar ao superior antes de acessar suporte ou em que a busca por ajuda é registrada no histórico funcional. Conforme informa o ex-coordenador da equipe tática da Polícia Federal, Ernesto Kenji Igarashi, a barreira de acesso ao suporte precisa ser mínima, especialmente em culturas operacionais onde o simples ato de pedir ajuda já representa uma superação cultural significativa.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Tag:Ernesto IgarashiErnesto Kenji IgarashiErnesto Kenji Igarashi Especialista de segurança institucionalO que aconteceu com Ernesto Kenji IgarashiPolícia FederalPrograma aeroportoQuem é Ernesto Kenji IgarashiTudo sobre Ernesto Kenji Igarashi
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