segunda-feira, setembro 27, 2021
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Tom do discurso de Bolsonaro manterá o risco em alta, avalia mercado

As manifestações desta terça-feira, 7 de setembro, elevaram a percepção de risco do investidor, tanto pelo volume de pessoas que foi às ruas protestar quanto, principalmente, pelo tom do discurso do presidente Jair Bolsonaro, que atacou o Supremo Tribunal Federal e afirmou que não cumprirá as decisões da Suprema Corte. Indicativos do agravamento do diálogo entre as instituições são prejudiciais ao mercado e ao país, principalmente neste momento em que pautas importantes para a economia estão à mesa.

“Precisamos observar qual vai ser a reação dos outros poderes a esses movimentos de hoje. Temos algumas pautas desafiadoras, como a questão dos precatórios que estava sendo costurada com o STF. Temos de ver como ele vai reagir em relação aos discursos do presidente”, diz Daniel Miraglia, economista-chefe da Veedha Investimentos. Outra pauta que pode ser prejudicada com o acirramento da crise entre as instituições é o andamento das reformas. “O mercado vai ficar na expectativa da aprovação ou não da reforma tributária, que é vista como populista e que mais complica do que simplifica a vida do contribuinte”, diz ele.

Na tarde desta terça-feira, o CDS da Bloomberg, índice que mede a percepção de risco dos investidores, chegou a 176, ante o fechamento de 173 ontem. “Fica claro que esquentou o clima e o nível de estresse aumentou. Quando a população vai à rua, os políticos precisam dar uma resposta e a gente aguarda o desdobramento destes acontecimentos. Sem segurança e estabilidade, o investidor se afasta, o que prejudica o ambiente de negócios como um todo, mas também o crescimento econômico que se reflete em toda a população em forma de emprego e inflação”, diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

O mercado já precificou as manifestações nas últimas semanas e a expectativa é que o índice DI, que já subiu significativamente nos últimos meses, continue alto e a preocupação com o risco fiscal permaneça. Porém o compasso é de espera pela reação dos líderes dos poderes nos próximos dias. “Foram manifestações importantes, tanto em Brasília quanto em São Paulo, mas esta demonstração de força do presidente não é suficientemente relevante para alterar a correlação de forças com a sua oposição”, diz André Perfeito, economista-chefe da Necton. “Aparentemente ele não vai conseguir convocar o tal Conselho da República que mencionou, mas é importante sabermos que a tensão permanece elevada. Se haverá quedas adicionais por conta disso, teremos de ver nos próximos dias”, diz ele.

Apesar do aumento da sensação de risco, amanhã a abertura do mercado pode ser positiva porque hoje o dólar se fortaleceu no mercado internacional com a queda das commodities diante da desaceleração da economia mundial. Além disso, haverá a divulgação do IGP-DI (Índice Geral de Preços), que certamente impactará nas bolsas.

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