domingo, setembro 26, 2021
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Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos voltam a subir na tarde desta 2ª; prefixados pagam juro de 10,8% ao ano

SÃO PAULO – O olhar dos investidores se volta, na tarde desta segunda-feira (23), para um novo ruído político sobre a organização das manifestações de 7 de setembro. Ainda no cenário local, investidores acompanham as emendas do relator do Orçamento do ano que vem, que foram mantidas pelo presidente Jair Bolsonaro, assim como revisões para cima da inflação para este ano. No meio disso tudo, o mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto opera em alta na tarde desta segunda-feira, após uma manhã com as negociações sem direção definida.

Na atualização da tarde, o destaque entre as altas está nos papéis prefixados, em que os prêmios avançam cerca de 17 pontos percentuais na comparação com as taxas vistas na abertura dos negócios.

O juro pago pelo papel com vencimento em 2031 era de 10,80% durante a tarde, contra 10,63% na primeira atualização da manhã. Um dia antes, o mesmo título oferecia retorno de 10,62%. No mesmo horário, o retorno do título com vencimento em 2026 era de 10,12%, acima dos 9,93% vistos no começo da manhã. Anteriormente, o papel pagava um retorno de 9,95%.

Já entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,94% na atualização da tarde, contra 4,82% na sessão anterior. Com isso, o prêmio pago pelo papel voltava a se aproximar do recorde visto neste ano que foi de 4,97% em 18 de agosto.

Da mesma forma, o retorno real pago pelo Tesouro IPCA com vencimento em 2040 e pagamento de juros semestrais avançava de 4,83% para 4,88%, na atualização da tarde. Um dia antes, o mesmo título pagava um juro real de 4,81%.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto oferecidas na tarde desta segunda-feira (23):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Radar local

Na agenda doméstica, as atenções estão voltadas para as informações apresentadas nesta segunda-feira (23) pelo Boletim Focus, do Banco Central. Segundo o relatório, o mercado financeiro elevou suas projeções para a inflação deste ano pela 20ª semana consecutiva, desta vez de 7,05% para 7,11%.

As expectativas para o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2022 também foram elevadas, pela quinta semana, de 3,90% para 3,93%.

Em um cenário de maiores pressões inflacionárias, o mercado financeiro tem esperado um cenário de taxa de juros mais pressionada do que o previsto no início do ano. Segundo os economistas consultados pelo BC, a Selic deve encerrar este ano em 7,50% – com um aumento de 2,25 pontos percentuais em relação aos juros atuais, de 5,25% –, se mantendo neste patamar até dezembro de 2022, portanto sem alterações em relação ao levantamento anterior.

Assim como na semana passada, é esperado pelo menos um aumento de um ponto percentual da Selic, para 6,25%, em setembro, e outro de 0,75 ponto, para 7,00% ao ano, no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro.

Com relação ao desempenho da economia brasileira, a expectativa é de crescimento de 5,27% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, em linha com a expansão de 5,28% esperada anteriormente. Já para 2022, a projeção de crescimento da atividade econômica teve queda, de 2,04% para 2,00%

Para Dalton Gardimam, Ricardo Mauad e Bernardo Keiserman, analistas do Bradesco BBI, o Focus desta semana mostrou um cenário de maior inflação e menor crescimento para 2021 e 2022. Em relatório enviado a clientes, eles destacaram que, ainda que a revisão no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tenha sido pequena, isso já mostra um aumento nas percepções de risco diante de uma situação mais frágil do ponto de vista fiscal e da aproximação das eleições de 2022.   

Na cena política, investidores monitoram desdobramentos sobre a demissão de um comandante da Polícia Militar de São Paulo. Após uma reunião de governadores para discutir a crise institucional, o governador de São Paulo, João Doria, disse que militantes pró-Bolsonaro estão sendo estimulados a saírem armados às ruas no dia 7 de setembro, razão pela qual ele teria demitido um comandante da Polícia Militar que convocou a população a comparecer aos atos.

Também na política, Bolsonaro decidiu manter as emendas de relator no Orçamento do ano que vem, ao contrário do que havia anunciado na semana passada. Segundo a equipe de análise da XP Política, isso deve evitar uma guerra com o Congresso.

O mercado acompanha ainda desdobramentos do pedido de impeachment apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Senado Federal. 

Após a medida, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, foi questionado por jornalistas e respondeu: “Não antevejo fundamentos para impeachment de ministro do Supremo como também não antevejo em relação a impeachment de presidente da República”.

Cena internacional

Lá fora, após dias de forte aversão ao risco com os temores quanto à redução de estímulos nos Estados Unidos e à adoção de medidas regulatórias na China, as bolsas mundiais apresentam um dia mais positivo e de recuperação no início da semana.

Já os preços do petróleo saltavam mais de 5% nesta segunda-feira, recuperando-se de uma sequência de sete dias de perdas, apoiados pela desvalorização do dólar, apesar das preocupações de demanda causadas pelo aumento no número de casos da variante Delta do coronavírus.

Investidores repercutem ainda dados sobre a atividade na Europa. O Índice do Gerente de Compras (PMI na sigla em inglês) Markit composto para a Zona do Euro, que traz dados sobre os setores de serviços e manufatura registrou o menor patamar em dois meses em agosto: 59,5 pontos. No mês passado, o valor tinha sido de 60,2 pontos. A leitura ficou acima da marca de 50 que separa crescimento de contração, e pouco abaixo da expectativa de 59,7, segundo consenso da Reuters.

Para os próximos dias, os investidores ficarão atentos ao simpósio de Jackson Hole, nos Estados Unidos, que começa na quinta-feira (26) e deve trazer mais sinalizações sobre o ritmo da redução das compras mensais de títulos realizadas pelo Federal Reserve e também sobre quando os membros da autoridade monetária dos Estados Unidos esperam iniciar um ciclo de aumento dos juros.

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