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Mercado Lance Notícias > Blog > Política > Leilão da sede do Paraná Clube: entenda a batalha jurídica e política que decide o destino do Tricolor

Leilão da sede do Paraná Clube: entenda a batalha jurídica e política que decide o destino do Tricolor

13 de julho de 2026
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7 Min de leitura

Disputa entre credores, Prefeitura de Curitiba e Justiça define o futuro da sede da Kennedy, peça central para a venda da SAF do clube.

Contents
Como a Justiça autorizou o leilão da sede da KennedyA resistência da Prefeitura de Curitiba e o impasse com a lei municipalO acordo entre credores e Banco Genial que definiu o valor do leilão

Poucos casos no futebol brasileiro mostram tão bem como um leilão pode se transformar em um verdadeiro campo de batalha político e jurídico quanto o da sede social do Paraná Clube. O imóvel, conhecido como Sede da Kennedy, virou a peça central da recuperação judicial do Tricolor e, ao mesmo tempo, o palco de um confronto entre credores, a Justiça e a Prefeitura de Curitiba. De um lado, o clube precisa vender o patrimônio para quitar dívidas bilionárias e destravar a chegada de um novo investidor. De outro, uma lei municipal de 1958 impõe restrições ao uso do terreno, criando um impasse que já dura anos. Entender esse leilão exige olhar tanto para os números quanto para os bastidores políticos que cercam a negociação.

Como a Justiça autorizou o leilão da sede da Kennedy

O imóvel, localizado na Avenida Presidente Kennedy, na Vila Guaíra, em Curitiba, foi doado ao clube ainda nas décadas de 1940, mas uma lei municipal de 1958 estabeleceu que a área deveria ter finalidade exclusiva de lazer e recreação esportiva, com cláusulas de impenhorabilidade e inalienabilidade. Essa restrição travou por anos qualquer tentativa de venda do terreno, mesmo diante da grave crise financeira que levou o Paraná Clube a pedir recuperação judicial. A situação só avançou depois que o Comitê de Credores e o administrador judicial pediram à Justiça a autorização para a alienação do bem, com parecer favorável do Ministério Público do Paraná.

A juíza Mariana Fowler Gusso, titular da 1ª Vara de Falências de Curitiba, autorizou a venda ou o leilão da sede social da Kennedy, atendendo ao pedido do Comitê de Credores e do administrador judicial. Ao justificar a decisão, a magistrada argumentou que manter o imóvel intocado, sem poder negociá-lo, também não ajudaria a viabilizar a prática esportiva que a lei municipal buscava proteger. A decisão representou um marco no processo, já que abriu caminho para que o leilão fosse de fato agendado, algo que vinha sendo discutido havia pelo menos um ano dentro do processo de recuperação judicial do clube. Banda B

A resistência da Prefeitura de Curitiba e o impasse com a lei municipal

Mesmo com a autorização judicial, o leilão da Kennedy não avançou sem resistência política. A Prefeitura de Curitiba se manifestou formalmente contra a venda, alegando que o imóvel foi doado com cláusulas de impenhorabilidade e inalienabilidade estabelecidas em lei, que continuam vigentes e produzindo efeitos. Essa divergência colocou o município em rota de colisão direta com a Justiça estadual, que já havia autorizado a alienação, e com os credores, que dependiam da venda para viabilizar o plano de recuperação judicial do clube. Umdoi Esportes

O impasse ganhou contornos ainda mais delicados considerando que o atual prefeito de Curitiba é torcedor declarado do Paraná Clube, o que não impediu a administração municipal de manter sua posição contrária à venda. Diante desse cenário, representantes dos credores chegaram a sugerir que a solução definitiva para o caso passaria pela esfera política, com uma eventual revisão da lei municipal de 1958 por parte do próprio poder público. Enquanto isso não acontece, o clube e o futuro investidor da SAF seguem tratando diretamente com a Prefeitura na tentativa de destravar de vez o processo, já que o Banco Genial, principal interessado no imóvel, também iniciou conversas com o município sobre o tema.

O acordo entre credores e Banco Genial que definiu o valor do leilão

Depois de meses de negociação, credores e representantes do Paraná Clube chegaram a um consenso sobre o valor final do imóvel. O valor mínimo estipulado inicialmente pelos credores era de R$ 70,8 milhões, mas, com a garantia de recebimento oferecida pelo Banco Genial, eles aceitaram reduzir a exigência para R$ 60 milhões. Esse acordo foi essencial para destravar o plano de recuperação judicial, já que os credores temiam que o leilão pudesse não atrair nenhum interessado pelo valor de avaliação original, cenário que já havia se repetido em tentativas anteriores de leiloar o mesmo imóvel. Umdoi Esportes

Pelo modelo definido, o leilão segue direcionado ao Banco Genial, que terá o direito de igualar qualquer proposta superior apresentada por outros interessados. Os R$ 60 milhões arrecadados serão usados integralmente para o pagamento das obrigações previstas na recuperação judicial, distribuídos em dez parcelas anuais, com um ano de carência a partir da conclusão da venda da SAF. Esse desenho financeiro mostra como o leilão de um patrimônio histórico do clube se tornou, na prática, o instrumento que viabiliza tanto a quitação das dívidas quanto a entrada de um novo grupo de investidores no comando do futebol paranaense.

O caso da sede da Kennedy segue como um dos capítulos mais emblemáticos de como decisões judiciais, posicionamentos políticos e interesses financeiros podem se entrelaçar dentro do futebol brasileiro. Enquanto a Justiça já deu aval para a venda e os credores fecharam um acordo com o principal comprador, o desfecho definitivo ainda depende da relação entre o Paraná Clube e a Prefeitura de Curitiba em torno de uma lei que completa mais de sessenta anos. Para o torcedor tricolor, o resultado desse leilão vai determinar não apenas o futuro de um patrimônio histórico, mas também a viabilidade financeira do clube nas próximas temporadas.

Fontes consultadas:

  • https://www.bandab.com.br/esporte/times/parana-clube/parana-clube-saf-juiza-autoriza-venda-kennedy/
  • https://www.umdoisesportes.com.br/parana-clube/parana-clube-prefeitura-de-curitiba-se-manifesta-contra-venda-da-sede-da-kennedy/
  • https://www.umdoisesportes.com.br/parana-clube/parana-clube-plano-rj-venda-saf-nextplay/
  • https://www.umdoisesportes.com.br/parana-clube/patrimonios-parana-clube-apos-venda-saf/
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