sexta-feira, julho 1, 2022
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Olimpíadas só na TV: por que o brasileiro tem tanta preguiça?

As Olimpíadas mobilizam boa parte do público do país, mas não são capazes de tirar as pessoas da frente da TV. Na comparação com outras nações, os brasileiros estão entre os povos mais brasileiros do mundo na hora de fazer esportes. A população pratica apenas três horas por semana de atividades físicas, enquanto a média global é de seis horas, segundo  pesquisa feita pela Ipsos com 29 países. O Brasil está em uma situação bem diferente dos países mais bem colocados nesse ranking. Na Alemanha e na Holanda as pessoas gastam mais de 11 horas semanais com atividades físicas, como mostra a pesquisa feita entre 25 de junho e 9 de julho de 2021. O Ipsos realizou entrevistas on-line com 21.503 pessoas entre 16 a 74 anos, sendo 1 000 brasileiros. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. O Brasil fica atrás mesmo quando comparados aos países latinos, como Peru, Colômbia, México e Argentina, que gastam em média entre 5,2 e 4,4 horas para se exercitar. 

Para os especialistas no assunto, a preguiça para encarar a malhação é apenas uma parte do problema. Somam-se a isso questões como falta de incentivo, problemas de segurança, dificuldades de mobilidade urbana e carência de equipamentos públicos disponíveis. O conjunto acaba resultando em um baixo índice de exercício físico. A maior parte dos entrevistados no país apontaram a falta de tempo (32%) e de dinheiro (21%) como os principais motivos para não praticar atividades físicas. Segundo o cardiologista e nutrólogo do Instituto Dante Pazzanese e do Hospital do Coração, Daniel Magnoni, faltam por aqui lugares propícios e equipamentos para praticar atividades físicas. “Comparar Holanda e Brasil é algo bem diferente, mesmo que seja percentualmente. Nós temos uma diversidade populacional muito grande, você tem pessoas em zonas de alta periculosidade que precisam caminhar na rua, zonas onde não há equipamentos públicos e que não há poder aquisitivo para se exercitar em academias e clubes particulares”, argumenta o cardiologista. 

Formado em Educação Física e especialista em treinamentos de auto rendimento, Marcio Atalla lembra que o ser humano, por natureza, busca economizar energia. “Só sobrevivemos ao longo da nossa evolução por conta do nosso cérebro ser uma máquina muito inteligente em poupar energia. Então, se você não favorece ou inventiva ele a se mexer, a gente fica sedentário. Por isso, políticas públicas anti-sedentarismo são importantes.” Atalla cita outros países como exemplos.  “No caso da Finlândia, Dinamarca e Coreia, por exemplo, há programas de saúde que incentivam essa população sedentária a se exercitar. Eles incentivam o uso de bicicletas, o engajamento em atividades em troca de benefícios e descontos em atendimentos médicos”, completa o especialista.

Para o ex-nadador e empresário Gustavo Borges, um dos maiores atletas olímpicos da história nacional, a questão financeira e a falta de tempo não podem ser desculpas para um percentual tão elevado de brasileiros que fogem da atividade física. “Há opções de caminhadas em parques públicos e até mesmo subir e descer as escadas do prédio serve para mexer o corpo”, exemplifica. O principal motivo para o alto índice de sedentarismo, segundo ele, são os adultos não incentivarem os mais jovens. “Uma criança que faz atividade física se torna um adulto mais ativo. É preciso também que a educação física escolar seja levada a sério, da mesma forma que é matemática”, completa Gustavo.

Os dados revelam que é preciso estar alerta para alguns agravantes, de acordo com Magnoni. “Há uma falta da cultura da atividade física. Eu como cardiologista digo aos meu pacientes que eles têm que fazer uma caminhada de 30 minutos cinco vezes por semana para prevenir doenças cardiovasculares e os pacientes não fazem. A turma gosta muito mais de tomar uma pílula para reduzir o colesterol do que fazer uma dieta e exercício”, critica o médico.

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