terça-feira, maio 24, 2022
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O risco de embates entre esquerdistas e bolsonaristas no 7 de Setembro

O dia 7 de setembro, quando se comemora a independência do Brasil, pode se tornar uma data de embates nas ruas entre o bolsonarismo, que se mobiliza para tentar construir uma grande manifestação em defesa do presidente Jair Bolsonaro, e a esquerda, que já tem um calendário de atos marcados para o mesmo dia.

Os bolsonaristas escolheram a data como uma espécie de “segunda independência” do Brasil, dizem nas redes sociais, quando a população – acreditam — irá em massa gritar contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, além de outras instituições da República.

Já a esquerda usa tradicionalmente o dia para se mobilizar no Grito dos Excluídos, um movimento organizado pela Igreja Católica, mas que desde sempre foi encampado por grupos que defendem pautas caras à esquerda, como direitos humanos, igualdade racial, justiça social, moradia e direito à terra. Não à toa, tem sempre a adesão maciça de movimentos como o MST (sem-terra) e o MTST (sem-teto).

O principal impasse está em São Paulo, onde os dois grupos disputam a Avenida Paulista, tradicional palco de manifestações políticas. Na semana passada, o governo estadual decidiu que os bolsonaristas poderão utilizar a avenida no dia 7, enquanto os grupos de esquerda terão a via reservada no dia 12, um domingo.

O problema é que o Grito dos Excluídos sempre ocorreu no dia 7 de setembro.  E não será diferente em 2021, quando ao movimento deve se somar a campanha “Fora Bolsonaro”. Segundo, Ari Alberti, da secretaria nacional do Grito dos Excluídos, atos estão previstos para acontecer no Dia da Independência em pelo menos 24 estados e no Distrito Federal — o que torna provável o encontro entre manifestantes de lados opostos.

Manifestantes participam do Grito dos Excluídos na Avenida Paulista no dia 7 de setembro de 2019 — ato sempre teve a presença de grupos de esquerdaCidoli/Divulgação

De acordo com Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), a atitude do governo paulista distorce uma decisão judicial do ano passado, que prevê uma alternância em casos de dois pedidos de atos de lados contrários para o mesmo dia. “Em 24 de julho nós fizemos um ato e no mesmo dia teve um sujeito que pediu para fazer uma manifestação de cunho religioso via-email, mas essa pessoa não apareceu. Mesmo assim, a Polícia Militar entende que teve duplicidade no dia”, afirma.

Para a esquerda, a última vez que os dois lados pediram para se manifestar no mesmo local foi 1º de Maio, quando os bolsonaristas ficaram com a Paulista. As entidades que apoiam o Grito dos Excluídos entraram com uma representação no Ministério Público de São Paulo, com querem marcar uma reunião para apresentar os seus argumentos. Eles também pediram audiência com o governo de São Paulo.

Em São Paulo e no resto país, a convocação para o Grito dos Excluídos continua sendo feita como o planejado. Caso a Justiça não reverta a decisão, a esquerda não sabe se irá à Paulista ou se ficará em outro local para evitar embates. “É um ato descentralizado e vai acontecer, até mesmo em São Paulo, apesar dessa decisão. Nós estamos planejando isso desde o final de fevereiro”, afirma Alberti.

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