segunda-feira, julho 4, 2022
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Nuvemshop recebe aporte de R$ 2,6 bilhões e se torna novo unicórnio

Fundada em 2011 por um grupo de universitários argentinos, a plataforma de e-commerce Nuvemshop (ou Tiendanube, como é conhecida fora do Brasil) anunciou nesta terça-feira, 17, um aporte robusto, de 2,6 bilhões de reais, que a coloca no hall das startups unicórnios da América Latina. Com o aporte recebido, a empresa está avaliada em 16 bilhões de reais (ou 3,1 bilhões de dólares). A rodada foi coliderada pelos fundos Insight Partners, que tem na carteira investimentos em Twitter e Alibaba, e Tiger Global Management (Spotify e Uber), mas também contou com participação relevante dos fundos Alkeon e Owl Rock. Foi a terceira grande captação da companhia nos últimos 12 meses – o montante levantado no período soma mais de 3,2 bilhões de reais.

Em entrevista a VEJA, Santiago Sosa, CEO e um dos fundadores do negócio, conta que o reforço no caixa servirá para expandir o número de funcionários, aprimorar o ecossistema de serviços e romper fronteiras. “Queremos expandir nossa atuação para os países andinos. Colômbia, Chile e Peru são as escolhas mais óbvias”, afirma ele. Hoje, além do Brasil, que representa mais da metade do negócio, a companhia tem atuação na Argentina e no México.

Não é difícil entender a valorização estelar da empresa em tão curto espaço de tempo. Com a pandemia de Covid-19, as lojas físicas do comércio varejista foram fechadas, o que evidenciou a necessidade de investimentos no âmbito digital para levar os produtos ao consumidor. O momento catapultou plataformas de desenvolvimento de sites de vendas. A Nuvemshop, focada em soluções para pequenos e médios empreendedores, se deu bem com isso. De acordo com as contas de Sosa, apenas 1,5% das pequenas e médias empresas do país já estão no comércio eletrônico, o que indica uma oportunidade a ser explorada. “A gente estima que nos próximos sete anos, a representatividade do e-commerce irá ultrapassar a do varejo tradicional”, projeta. “Há uma grande digitalização das pequenas e médias empresas em curso. São empresas que necessitam de infraestrutura de tecnologia, marketing, soluções financeiras e logísticas.”

Engendrada como um projeto de quatro estudantes (além de Sosa, Alejandro Alfonso, Martín Palombo e Alejandro Vázquez) do Instituto Tecnológico de Buenos Aires, hoje a plataforma detém cerca de 90 mil lojistas e deve transacionar cerca de 7 bilhões de reais este ano. Mas a empresa quer mais. As metas para os próximos anos, revela Sosa, são ambiciosas. “Nós pensamos que a base de usuários da plataforma deve crescer de cinco a sete vezes, para algo em torno de 500 mil a 600 mil lojistas”, diz. “Já em valores de venda, nós queremos chegar a 150 bilhões de reais em até sete anos”. A companhia deve encerrar 2021 com cerca de 900 funcionários, mas a estimativa é conseguir expandir esse número para 5 mil em cinco anos. Sosa enumera, na sequência, os motivos pelos quais acredita que os números de expansão são factíveis. “O sistema cresce de forma natural. Cada vez mais os consumidores estão acostumados a comprar pela internet, com várias pessoas que nunca havia comprado algo online antes, e nós vamos lançar mais ferramentas de comunicação e de venda para o lojista também”.

Com o caixa reforçado, Sosa admite que a empresa pode mapear oportunidades para fusões e aquisições que façam sentido para a estratégia de crescimento, sobretudo nos serviços financeiros. “Nós não imaginamos sair comprando 10 ou 15 empresas de uma hora para outra. Mas, se encontrarmos uma empresa muito bem-posicionada, que faça sentido no nosso contexto estratégico, pode ser uma opção. Antigamente, isso era algo mais proibitivo”, revela. O objetivo é não se desprender de suas raízes. Hoje, os principais lojistas da plataforma transacionam cerca de 50 milhões de reais ao ano – o objetivo é aumentar esse volume para cerca de 80 milhões, quiçá 100 milhões de reais. Dentro do escopo da plataforma, as principais categorias de venda são ligadas à moda, acessórios e higiene pessoal, mas a pandemia provocou um rearranjo. “Nos últimos tempos, segmentos como o de eletrônicos, decoração e o ramo de alimentos se tornaram mais relevantes”, diz o executivo argentino.

Questionado se o excesso de liquidez mundo afora tem suportado as vultuosas captações de recursos por parte de startups na região, Sosa corrobora. “As baixas taxas de juros dos Estados Unidos e o momento complexo da China faz com que os investidores olhem para nós, da América Latina, como uma boa oportunidade de investimento”, diz. “Mas não é qualquer empresa que esteja captando 500 milhões de dólares”, ressalva. De fato, o aporte recebido pela Nuvemshop foi a terceira maior rodada para uma empresa da região. Seu novo patamar de avaliação, colocou o negócio como a quinta startup mais valiosa da América Latina.

Embora admita que a operação não dê lucro, Sosa afirma que a Nuvemshop não “queima” recursos para crescer a qualquer custo. No mundo dos negócios, os investidores têm buscado empresas que deem retorno para ir além das ideias promissoras. “A Nuvem tem números muito positivos, mas tem uma base de custo que é maior do que a receita e isso acontece por uma decisão deliberada. Tentamos combinar velocidade com expansão, mas com os pés no chão. Mas o nosso modelo de negócio nos permite ser rentáveis se quisermos, sem demitir pessoas ou fazer cortes exagerados. É só questão de definir o caminho a seguir.”

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