A modernização de uma identidade visual nem sempre consegue transformar a maneira como uma empresa é percebida pelo público, comenta Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos. Embora muitas organizações invistam na atualização de logotipos, cores, tipografias e embalagens, algumas continuam transmitindo uma aparência ultrapassada, mesmo após mudanças significativas em sua comunicação.
Saiba mais a seguir!
Por que trocar o logotipo nem sempre é suficiente?
A identidade visual de uma empresa reúne diferentes componentes, incluindo tipografia, cores, símbolos, fotografias e padrões gráficos. Entretanto, a percepção do consumidor não depende exclusivamente desses elementos considerados individualmente. Uma marca pode apresentar um logotipo contemporâneo e continuar utilizando materiais promocionais, embalagens e composições que remetem a estilos antigos, criando uma comunicação visual inconsistente.
De acordo com Dalmi Defanti, essa situação ocorre porque a modernização frequentemente se concentra nos elementos mais reconhecíveis da marca, deixando outras aplicações em segundo plano. Imagine uma empresa que substitui seu logotipo, mas mantém catálogos com excesso de informações, fotografias desatualizadas e combinações tipográficas pouco harmoniosas. Embora a mudança seja perceptível, o conjunto continua transmitindo características associadas à identidade anterior.
Além disso, determinadas escolhas gráficas podem envelhecer de maneira diferente. Efeitos tridimensionais, sombras intensas e composições excessivamente ornamentadas podem remeter a tendências específicas de outras décadas. Isso não significa que esses recursos sejam necessariamente inadequados, mas sua utilização precisa considerar o posicionamento da empresa e a linguagem visual predominante em seu segmento.

Uma marca pode parecer antiga mesmo depois de um redesign?
O redesign consiste na reformulação de elementos visuais para atualizar, reorganizar ou reposicionar uma identidade. Entretanto, quando o processo modifica apenas características superficiais, a percepção do público pode permanecer praticamente inalterada. Isso acontece especialmente quando a empresa conserva padrões de comunicação que já não correspondem à imagem que pretende transmitir aos consumidores. Como resultado, a nova identidade pode apresentar mudanças estéticas sem conseguir estabelecer uma percepção efetiva de renovação.
Na perspectiva de Dalmi Defanti Cuiabá, a discussão pode ser relacionada à importância da consistência entre o desenvolvimento gráfico e suas aplicações. Uma identidade visual precisa funcionar em diferentes formatos, desde materiais digitais até embalagens, sinalizações e impressos comerciais. Quando cada suporte apresenta características visuais distintas, a modernização perde parte de sua capacidade de estabelecer uma imagem reconhecível. Por isso, a padronização dos elementos gráficos contribui para preservar a unidade da comunicação em diferentes pontos de contato com o público.
Como as embalagens influenciam a imagem de uma marca?
As embalagens representam um dos principais pontos de contato entre consumidores e produtos. Além de proteger e identificar mercadorias, elas comunicam características relacionadas ao posicionamento, à categoria e à proposta comercial. Por isso, uma empresa pode atualizar sua presença digital e continuar parecendo antiga quando seus produtos apresentam embalagens visualmente incompatíveis com a nova identidade. Essa diferença pode dificultar o reconhecimento das mudanças realizadas e enfraquecer a percepção de modernidade que a organização pretende construir.
Imagine uma marca de cosméticos que adota um logotipo minimalista, mas mantém embalagens com informações desorganizadas, fotografias pouco integradas e excesso de elementos decorativos. O contraste entre a comunicação digital e a apresentação física dos produtos pode comprometer a percepção de renovação. Nesse cenário, o consumidor encontra duas linguagens diferentes associadas à mesma empresa. Essa falta de uniformidade pode gerar dúvidas sobre o posicionamento da marca e reduzir a eficiência das estratégias de atualização visual.
A experiência de Dalmi Defanti no setor gráfico permite relacionar essa questão à importância da reprodução dos materiais. Diferenças de tonalidade, problemas de legibilidade e acabamentos incompatíveis com a proposta visual podem interferir na apresentação final. Consequentemente, a modernização precisa considerar não apenas o desenvolvimento da identidade, mas também sua aplicação em materiais que chegam efetivamente ao consumidor. O cuidado com essas etapas contribui para que a proposta visual seja preservada e reconhecida nos diferentes produtos comercializados.


