domingo, setembro 26, 2021
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Margem Ebitda impressionante no Brasil e força na América do Norte: os destaques do resultado da Gerdau

SÃO PAULO – A Gerdau (GGBR4) divulgou seu resultado do segundo trimestre antes da abertura do pregão nesta quarta-feira (4), mostrando um lucro líquido de R$ 3,934 bilhões, alta de 1.149% na comparação anual e de 59% frente aos três primeiros meses de 2021.

Foi a última das siderúrgicas a reportar números trimestrais, e a figura agradou os analistas apesar das suas ações terem passado a maior parte do pregão desta quarta em queda. Às 16h06 (horário de Brasília), os papéis subiam 0,44%.

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O Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado  somou R$ 5,9 bilhões nos últimos três meses, ante R$ 4,32 bilhões no trimestre anterior e R$ 1,32 bilhões nos mesmos meses de 2020.

Já a receita líquida da siderúrgica ficou em R$ 19,13 bilhões, um avanço de 119% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo os analistas Thiago Lofiego e Isabella Vasconcelos, do Bradesco BBI, os resultados foram impressionantes, com o Ebitda vindo 2,3% acima das projeções do banco e 5% maior que o consenso do mercado.

Para a equipe do banco, o destaque do balanço foi a operação na América do Norte, com uma margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) de 20%, consequência da continuidade da abertura dos spreads de metais, ao passo que os embarques seguiram em níveis altos.

“No Brasil, os embarques da Gerdau surpreenderam positivamente, com os domésticos crescendo 10% na comparação com o trimestre anterior (ante nossa expectativa de incremento de 5%), e a realização de preços levemente mais fraca do que o esperado (+15% na base trimestral, contra nossa estimativa de +19%) e os custos de mercadorias vendidas um pouco mais elevados do que nossa previsão (+7% sobre o trimestre anterior, esperávamos +4%)”, escrevem os analistas do Bradesco.

A equipe ressalta ainda que a margem Ebitda da Gerdau no Brasil está girando em torno de 40%, algo muito acima das margens “normais” de 20%.

Na opinião dos analistas, os embarques de aço provavelmente continuarão em níveis elevados em todas as regiões, apoiados pela atividade saudável no setor de construção e pela demanda da indústria, enquanto preços mais altos de aço devem fluir totalmente pelos resultados.

“No Brasil, acreditamos que as pressões de custos estão praticamente acabadas, então esperamos alguma expansão de margem no terceiro trimestre. Nos EUA, os spreads em metal continuam a se alargar, conforme os preços de sucata tiveram uma correção recentemente, enquanto os preços de vergalhão continuam altos. Nós vemos possibilidades de surpresa para cima nas nossas estimativas de Ebitda de R$ 13,5 bilhões para 2022, que já estão em torno de 10% acima da média do mercado.”

A margem Ebitda da Gerdau foi de 41% no Brasil depois do Ebitda recorde de R$ 3,6 bilhões no país, valor que ficou 5,5% abaixo das expectativas do Bradesco, porém isso se deveu a custos maiores do que o esperado, e realização de preços um pouco menor do que se projetava. O volume de vendas, nesse caso, foi o principal ponto positivo, com embarque de 956 mil toneladas de aços longos domesticamente, número 7% superior ao esperado pelo banco e 13% maior que o registrado nos primeiros três meses de 2021.

O volume exportado, por sua vez, foi 19% maior que o estimado pelo Bradesco e 131% superior na base trimestral.

A recomendação do Bradesco BBI para as ações GGBR4 é outperform (desempenho esperado acima da média do mercado) com preço-alvo estimado de R$ 45,00, o que corresponde a uma valorização de 42,6% sobre o patamar de fechamento desses papéis na terça-feira (3).

Para os analistas Caio Ribeiro e Gabriel Galvão, do Credit Suisse, os resultados da Gerdau na América do Norte foram o principal motivo para a empresa ter batido expectativas no Ebitda ajustado, uma vez que a receita líquida para aquela divisão cresceu 14% ante o primeiro trimestre e levou a uma forte expansão de margem.

“Em geral, esse trimestre novamente trouxe aumentos de margem ao longo de todo o resultado (exceto pela divisão da América do Sul, que ficou relativamente estável), refletindo a atual compressão dos mercados globais de aço e o avanço dos preços de aço.”

O Credit Suisse tem recomendação neutra para a Gerdau com preço-alvo de R$ 31,55 (estável ante o fechamento da véspera).

Segundo os analistas do banco suíço, essa recomendação está ligada ao fato de resultados fortes já estarem precificados para este ano e o valuation da companhia ser menos atrativo do que o de outras siderúrgicas. “Vemos múltiplos convergindo para a média histórica nos próximos anos (nós enxergamos a GGBR4 operando em 6,2 vezes o [valor de mercado dividido pelo Ebitda] EV/Ebitda em 2022)”, argumenta a equipe do Credit Suisse.

Os analistas Carlos de Alba, Eduardo Bordalo e Jens Spiess, do Morgan Stanley, por sua vez, destacaram que a Gerdau anunciou dividendos mais altos do que o esperado a serem pagos no terceiro trimestre deste ano: R$ 921 milhões contra R$ 875 milhões projetados pelo banco americano. Além disso, a siderúrgica reiterou sua política de pagar 30% do lucro líquido ajustado em proventos. O percentual é maior que os 25% da Usiminas (USIM5), um dos destaques do balanço da concorrente.

Entretanto, a equipe do Morgan Stanley ressalta que o caixa de operações de R$ 380 milhões ficou bem abaixo da expectativa do banco, de R$ 2,19 bilhões, essencialmente por conta de necessidades de capital de giro. “O ciclo de conversão de caixa de 60 dias cresceu dos 49 dias no quarto trimestre de 2020, porém declinou significativamente dos 95 dias no segundo trimestre de 2020”, apontaram os analistas.

O banco registra ainda que apesar de uma pequena queda de R$ 10,8 bilhões para R$ 10,2 bilhões na dívida líquida da companhia do primeiro para o segundo trimestre de 2021, o endividamento ainda ficou bem acima da estimativa de R$ 8,8 bilhões do Morgan Stanley, resultado de menor geração de caixa. Ou seja, distante da desalavancagem tão elogiada da CSN (CSNA3).

Do lado positivo, além da margem Ebitda de 41% que as operações da Gerdau no Brasil atingiram, os analistas destacam que a utilização de capacidade da empresa atingiu aproximadamente 80% no trimestre, o maior nível desde 2018.

A recomendação do Morgan Stanley para as ações da Gerdau é overweight (peso recomendado na carteira acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 41,00, o que representa um upside de 29,95% ante o valor de fechamento desta terça.

Por fim, os analistas Daniel Sasson, Ricardo Monegaglia e Edgard Pinto de Souza, do Itaú BBA, apontam que a Gerdau melhorou em 10% seus embarques domésticos de aço na comparação trimestral e 46% na base anual acompanhando o cenário para os setores industrial e de construção.

Do lado de custos, a equipe analisa que os custos de mercadorias vendidas e as despesas por toneladas aumentaram em 6% ante o trimestre anterior, sofrendo com os maiores preços de matérias-primas como sucata (que aumentaram 10% no trimestre) e minério de ferro (que avançaram 40% na base trimestral), porém vieram melhor do que o esperado.

No segmento de aços especiais, o Ebitda de R$ 495 milhões (alta de 21% no trimestre e de 366% ante o mesmo período do ano passado), com embarques 2% menores, foi resultado de restrições na produção de automóveis devido à escassez de semicondutores, particularmente no Brasil, argumentam os analistas do Itaú.

Já na América do Sul, o Itaú BBA comenta que a demanda do setor de construção no Peru continuou a ir bem no segundo trimestre de 2021, mas restrições relacionadas à Covid-19 na Argentina resultaram em uma queda sequencial nos volumes de produção de 24% e de 10% nos volumes de vendas.

Do ponto de vista da alavancagem, a relação dívida líquida/Ebitda caiu para 0,65 vezes, de 1,0 vez no primeiro trimestre. Segundo os analistas, isso foi resultado de uma sólida geração de fluxo de caixa livre, e do Ebitda maior.

“A geração do fluxo de caixa livre foi decente em R$ 1,2 bilhão, apesar do aumento de R$ 3,0 bilhões em necessidades de capital de giro impulsionadas por contas a receber e estoques mais elevados, que a empresa vê como um efeito natural da atual demanda aquecida”, escreve a equipe do banco.

O Itaú BBA tem recomendação outperform para as ações GGBR4 com preço-alvo de R$ 45,00, o que significa uma valorização de 42,6%.

Quem também analisou o resultado da siderúrgica foi a XP. Os analistas Yuri Pereira e Thales Carmo, destacaram os preços mais altos em todas as unidades de negócio, resultando em margens saudáveis em praticamente todas as linhas.

“O Fluxo de Caixa Livre foi de R$1,2 bilhão com o forte resultado operacional sendo parcialmente compensado pela recomposição do capital de giro (-R$3,0 bilhões). Adicionalmente, a empresa anunciou dividendos de R$0,54/ação (dividend yield [dividendo sobre o valor da ação] de 1,7% e data ex [primeira sem o direito ao provento] em 17 de agosto)”, escreve a equipe da XP.

A corretora tem recomendação de compra para as ações da Gerdau com preço-alvo de R$ 32,00, valorização de 1,43% sobre o fechamento da véspera.

Segundo dados compilados pela Refinitiv, os papéis da Gerdau acumulam 10 recomendações de compra e 5 neutras entre bancos, corretoras e casas de análise que acompanham a empresa. O preço-alvo médio para as GGBR4 é de R$ 37,95, valor 20,29% superior ao do fechamento das ações na terça.

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