segunda-feira, julho 4, 2022
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Maior queda da liquidez americana desde 2018 ameaça os mercados

A recente queda de um indicador chamado “Marshallian K” entrou no radar dos mercados americanos como uma possível ameaça ao boom das ações que ocorrem na esteira da recuperação da crise da Covid-19 e da divulgação dos bons balanços das empresas dos Estados Unidos. Pouco conhecida e referente ao economista britânico Alfred Marshall (1842-1924), é considerada a melhor medida para saber se existe excesso de liquidez nos mercados, uma vez que avalia a relação da quantidade de moeda ofertada e o Produto Interno Bruto do país. Se a oferta da moeda cresce mais rapidamente que o PIB, significaria que o dinheiro não estaria sendo absorvido pela economia real, e a tendência é que ele acabe no sistema financeiro.

Durante a crise, tanto o governo americano quanto o Federal Reserve Bank injetaram trilhões de dólares na economia via pacotes de incentivo fiscal e uma política monetária estimulativa, estratégias para tirar o país da crise. Como os lockdowns ainda estavam sendo adotados para conter a disseminação do vírus e o consumo diminuiu, ao mesmo tempo em que a taxa de juros caia a zero, as bolsas de valores foram o principal canal de absorção desses ativos, batendo recordes atrás de recordes de valorização.

Agora, porém, com a vacinação, com a recuperação do PIB e com a possibilidade de o Fed em breve iniciar a sinalização para uma redução de estímulos, o Marshallian K entrou em terreno negativo pela primeira vez desde 2018. Isso significa que o PIB do país está crescendo a passos mais largos e rápidos que o M2 do governo, ou seja, que o estoque de dinheiro disponível via meios como moedas, depósitos em cheque, de poupança, a prazo e ações em fundos do varejo.

A queda do Marshallian K poderia até não ser um problema se, na última década, as duas ocasiões em que este indicador caiu não tivessem ocorrido também grandes quedas das ações. Portanto, pode ser um prenúncio de que o mesmo pode mais uma vez ocorrer – mesmo que depois os valores possam se recuperar, como ocorreu no passado. Alguns fatores atuais, no entanto, amenizam a ameaça. Entre elas, o fato de que a quantia injetada pelo Fed na economia durante a crise da Covid-19 é a maior da história.

A despeito da queda do indicador, os índices americanos continuam operando no terreno positivo. Pelo menos por enquanto, o indicador é apenas mais um ponto digno de atenção no radar dos investidores.

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