segunda-feira, março 1, 2021
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Os melhores fundos de ações e multimercados em janeiro e em 12 meses

SÃO PAULO – Embora o início da distribuição das vacinas tenha sido motivo de grande otimismo entre os investidores nos últimos meses do ano passado, em janeiro de 2021, o receio quanto ao impacto da segunda onda da pandemia na retomada da atividade global fez a aversão ao risco voltar a falar mais alto.

Nesse ambiente, o dólar mais uma vez provou ser o principal porto seguro do mercado nos momentos de maior volatilidade, com alta acima de 5% contra o real só no mês passado, potencializada pela fragilidade fiscal do país.

As ações nas bolsas, por outro lado, experimentaram quedas contundentes, refletidas na baixa de aproximadamente 3% no caso do Ibovespa, e de 1,1%, do índice americano S&P 500. A exceção ficou por conta da Nasdaq, cujo referencial subiu 1,4% impulsionado pela resiliência do setor de tecnologia.

Por conta disso, os fundos de ações e multimercados que mais se destacaram tanto em janeiro como em 12 meses foram novamente aqueles com exposição ao dólar e às bolsas internacionais.

Confira a seguir os fundos com as maiores altas e baixas do mês passado, com os destaques positivos dominados totalmente por estratégias globais.

Já no período de um ano findo em janeiro, a maior valorização entre os fundos de ações, de 85,8%, ficou por conta do veículo global do Morgan Stanley, seguido pelo de BDRs da Western Asset, que rendeu 58,5%.

Confira a seguir os fundos de ações que mais se destacaram nos 12 meses de 2020, assim como seu desempenho em 36 meses, e apenas em janeiro.

Importante lembrar que retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, embora seja interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

Na classe de multimercados, as estratégias globais também dominam as maiores rentabilidades em 12 meses. Ainda assim, multimercados como o Versa Long Biased, o Truxt Long Bias e o Vista Multiestratégia conseguiram cravar seu espaço.

Para a análise, foram considerados fundos não exclusivos, com gestão ativa e patrimônio líquido médio superior a R$ 100 milhões em 12 meses e mais de 99 cotistas, em janeiro.

No caso dos fundos de ações, foram excluídos os setoriais e os monoações. Entre os multimercados, não foram considerados os fundos de crédito privado.

Tecnologia

Segundo Roberto Shinkai, gestor da Bram, além da diversificação cambial, por meio do fundo Bradesco FIA BDR Nível I o investidor se expõe aos nomes que mais se beneficiam do isolamento social provocado pela pandemia, que, infelizmente, parece ainda bem longe de seu fim.

Entre eles, o especialista cita os papéis de Apple, Microsoft, Facebook, Google e Amazon. Mesmo após a forte alta recente, a visão na Bram é que ainda há ganhos a serem extraídos desses ativos, seja pela aceleração nas mudanças de hábito da sociedade ou pela retomada da economia, diz Shinkai.

Além disso, o gestor afirma ainda que o risco de aumento da regulação sobre as “big techs” como reflexo da maioria democrata nos Estados Unidos tem como contrapeso o novo pacote trilionário de estímulos fiscais, que atua a favor dos ativos de maior risco de modo geral.

Ele acrescenta que carrega também na carteira do fundo de BDRs papéis do setor de saúde, como da Johnson & Johnson, que está entre os laboratórios que desenvolveu e comercializa vacinas contra a Covid-19.

Terceirização

Já na classe dos multimercados, tem se destacado entre as estratégias globais fundos de fundos como o Santander Global Equities e o M Square Equity Managers.

Nesse caso, o trabalho das equipes da Santander Asset e da M Square é fazer a seleção de outros fundos, de gestores baseados no exterior, e, por isso, com maior propriedade para escolher as melhores ações negociadas nas bolsas internacionais. Além disso, ambos estão expostos à variação do câmbio.

O veículo da Santander Asset tem cerca de 20 fundos de ações globais no portfólio, e conta com o auxílio de uma equipe baseada em Madri, que faz uma primeira filtragem dos principais fundos disponíveis globalmente, explica Renato Santaniello, head da área de soluções de investimentos da gestora.

No fim de 2020, entre as maiores posições do fundo de fundos da gestora, estavam veículos de casas como T Rowe Price, BlackRock, JP Morgan e Fidelity.

Por ter como benchmark o índice MSCI World, o fundo tem uma preponderância da carteira nos Estados Unidos, com cerca de 60% do total, com participação relevante também da Europa e da Ásia.

Embora siga o índice de referência global, o fundo tem liberdade para fazer posições táticas, para ficar com uma exposição pouco acima ou abaixo do indicado pelo benchmark, em termos setoriais ou regionais.

Segundo Santaniello, contribuiu para o resultado durante o ano passado, além de uma posição maior em caixa no momento mais agudo da crise, uma aposta acima da média (overweight) nas bolsas dos Estados Unidos, em detrimento às da Europa. E, por conta da pandemia, com um foco maior também no setor de tecnologia.

Para 2021, continua o especialista, as empresas digitais que mais se beneficiam das mudanças de hábito ainda têm lugar de destaque na carteira. Já em termos geográficos, após o forte desempenho recente, a opção da gestora foi por reduzir a alocação em Estados Unidos, e aumentar na Ásia.

O executivo diz também que a proposta é fazer um mix de estratégias, contemplando fundos de valor, de crescimento e de small caps, entre diversas outras opções disponíveis no exterior.

Santaniello afirma ainda que, embora a perspectiva seja de enfraquecimento global do dólar no cenário-base de parte do mercado, os desafios particulares do Brasil podem manter o câmbio local mais pressionado.

De todo modo, em momentos de maior insegurança, a moeda dos Estados Unidos sempre atua como importante fonte de diversificação das carteiras, pondera o especialista.

Proteções

Entre os fundos que não têm como proposta investir com o foco exclusivamente em ações globais e ainda assim conseguiram se destacar no último ano, como o Vista Multiestratégia, o executivo da área de relações com investidores da gestora, Rodrigo Faveret, explica que as proteções na carteira tiveram papel fundamental em um ano tão volátil e cercado de incertezas.

“As maiores alocações da estratégia macro eram, e ainda são, petróleo e ouro”, afirma o especialista, acrescentando que foram ativos importantes para evitar perdas permanentes de capital na fase mais aguda da crise.

Apesar de não ter antecipado a exata dimensão do colapso de atividade que a pandemia traria ao mundo, a gestora conseguiu identificar os primeiros ruídos vindos da China, que a levaram a introduzir as proteções no portfólio, diz o executivo.

Além disso, nos momentos de maior volatilidade, prossegue Faveret, ganhos significativos foram obtidos pelo multimercado em decorrência de posições vendidas (que apostam na queda) em moedas e títulos de crédito de países emergentes, bem como tomadas no mercado de juros de países europeus com economias mais frágeis.

Com a forte reação governamental dos países desenvolvidos em resposta à pandemia, a opção da Vista foi aumentar a exposição do multimercado às ações, principalmente no exterior.

“Seguimos com a visão central que o mundo desenvolvido teve uma mudança importante no regime de política econômica, tanto na esfera monetária quanto fiscal. Isso, somado ao combustível vindo do processo de vacinação, propicia as condições para gerar uma aceleração da atividade econômica global”, afirma Faveret.

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