domingo, março 7, 2021
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Fora da recuperação judicial, situação da OSX, de Eike, ainda é incerta

Dona de uma área de 3,2 milhões de quilômetros quadrados (km²) no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, a OSX, empresa fundada e controlada pelo ex-bilionário Eike Batista, tenta caminhar com as próprias pernas após o fim de sua recuperação judicial, decretado em novembro. Para isso, no entanto, precisa encontrar investidores e parceiros, tarefa que Eike tenta contornar. Depois de ser preso por duas vezes nos últimos anos por corrupção ativa e manipulação do mercado de ações brasileiro, ele atua nos bastidores para voltar a exercer influência na gestão da empresa.

Após um imbróglio envolvendo o conselheiro minoritário Rogério Farias, que era contrário ao retorno do empresário à companhia, um acordo firmado com o advogado de Eike no fim de dezembro culminou com a renúncia de três conselheiros da OSX nas últimas semanas. Com o caminho livre, o ex-bilionário pretende usar a indústria naval como catapulta para sua volta triunfal. Segundo publicação de O Globo, Eike se reuniu com investidores chineses recentemente com o intuito de angariar recursos para recomprar o Porto do Açu.

A ambição do empresário, no entanto, pode precisar de ajustes. Fundada para ser um estaleiro que construiria as plataformas para os campos de petróleo da antiga OGX, atual Dommo Energia, em parceria com o braço logístico LLX, atual Prumo, hoje a OSX é uma empresa decadente. Com um prejuízo líquido acumulado de 6,47 bilhões de reais, ela tem no arrendamento de parte do espaço no Porto do Açu sua principal receita. Por meio de um contrato firmado com duas empresas por apenas 3% de sua área no complexo portuário, a OSX recebe cerca de 1 milhão de reais ao mês. Como as despesas de momento da indústria naval não são intensivas, essa quantia é suficiente para manter a operação, mas fontes com conhecimento da operação alegam que seria de suma importância que a companhia firmasse novos acordos tendo em vista seu alto patamar de endividamento.

A reestruturação das dívidas bilionárias da empresa é tida, segundo último relatório apresentado ao mercado, como “indispensável para que a OSX possa alcançar o almejado soerguimento financeiro e operacional”. O mesmo comunicado alerta, ainda, riscos para continuidade operacional da companhia. “Chamamos a atenção para o fato da companhia e suas controladas estarem incorrendo em prejuízos constantes”, diz um trecho do relatório produzido pela BKR Lopes, Machado Auditores Independentes. “Os prejuízos acumulados montaram 6,47 bilhões de reais, indicando a existência de incerteza significativa quanto à capacidade da companhia e suas controladas continuarem operando, existindo, inclusive, a possibilidade da companhia e suas controladas não serem capazes de realizar seus ativos e saldar seus passivos durante o curso normal dos negócios”.

Para superar a recuperação judicial e pagar as dívidas de menor porte, a OSX obteve empréstimos dos bancos Santander e Votorantim (BV), além de adquirir um contrato de “regime especial” com o Porto do Açu. Suas dívidas mais altas começarão a pressionar seus balanços a partir de 2025. Para passar pelo momento delicado e voltar a gerar caixa, é necessário que a economia do país deslanche. “Eventuais interessados em alugar áreas da OSX, olham a situação e veem que é uma empresa complicada, que pode falir. Isso gera inseguranças jurídicas e afasta investimentos”, diz uma fonte ciente da situação da companhia. “A não ser que apareça um investidor para fazer uma reestruturação da dívida, com um novo plano de recuperação judicial, a OSX fatalmente vai quebrar nos próximos anos”.

Enquanto isso não acontece, as ações da empresa viraram alvo de especulação na bolsa de valores de São Paulo, a B3. Se, em janeiro de 2020, seu papel era avaliado em 3,33 reais, em outubro, quando Eike começou a se movimentar para destituir o conselho da companhia, chegou a 21 reais. Em novembro, anunciado o fim da recuperação judicial, os papéis da OSX chegaram a valer 30,35 reais, maior cotação desde 2014. Hoje, a ação da indústria naval encontra-se próxima de 20 reais. Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o simples fato de a empresa ter liquidado sua recuperação judicial não é o suficiente para justificar a valorização dos papéis. “Hoje, investir em ações que têm algum litígio envolvendo o Eike Batista é extremamente arriscado. Você pode ter 2.000% de alta em um dia e no outro perder tudo ou mais”, alerta. “Não é interessante ficar apostando em ações em que o principal personagem está, inclusive, com pendências judiciais por corrupção e manipulação do mercado financeiro.” O objetivo de Eike de voltar a dar as cartas na OSX está perto de ser concluído, mas ainda há um longo caminho para recuperar, de fato, a empresa.

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