quinta-feira, setembro 23, 2021
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Demonstração de força que não amedronta… mas irrita

O presidente Jair Bolsonaro receberá nesta terça-feira um comboio de blindados, com direito a tanques de guerra e lança-mísseis. No caminho, o comboio passará em frente à Câmara dos Deputados, onde estará sendo votada a PEC do voto impresso.

Na cabeça do supremo mandatário, a parada militar será uma demonstração de força capaz de intimidar o Congresso e fazer com que a PEC do voto impresso seja aprovada.

Como todo valentão, Bolsonaro não entende o óbvio: só dá demonstração de força quem está fraco. Toda tentativa de demonstração de força é, por definição, uma demonstração de fraqueza.

No último dia 7 de julho, o ministro Braga Netto, em conjunto com os comandantes das Forças Armadas, soltou uma nota ameaçando senadores. Em seguida, o comandante da Aeronáutica, o bolsonarista Baptista Jr., deu uma entrevista ainda mais ameaçadora.

No dia seguinte, o ministro da Defesa mandou avisar, secretamente, a Arthur Lira que, sem voto impresso, “não haveria eleições em 2022”. No mesmo dia, Bolsonaro, afirmou, de público, a mesma coisa. De lá para cá, o presidente só subiu o tom.

Nada disso impediu que o voto impresso fosse derrotado de maneira acachapante na comissão especial. Espera-se que a votação no plenário tenha um placar similar e que o voto impresso seja derrotado com mais de 150 votos de diferença.

Ninguém mais acredita em golpe militar. Se o desfile de intimidação de fato ocorrer, é improvável que tenha o condão de reverter a derrota.

Ao contrário, é mais provável que enfureça os deputados e torne a derrota de Bolsonaro ainda mais devastadora.

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