terça-feira, maio 24, 2022
spot_img
HomePolíticaCom a ajuda do presidente, bolsonarismo ‘massacra’ o STF em rede social

Com a ajuda do presidente, bolsonarismo ‘massacra’ o STF em rede social

O Supremo Tribunal Federal se tornou um alvo preferencial do bolsonarismo no Twitter, particularmente após a polêmica em torno da adoção do voto impresso – pauta do presidente Jair Bolsonaro derrotada no Congresso –, com o predomínio absoluto de mensagens negativas sobre a atuação da Corte e de seus ministros.

Segundo levantamento feito pela consultoria Bytes a pedido de VEJA, das cem mensagens mais retuitadas nos últimos 30 dias, 84 foram publicadas por contas de políticos bolsonaristas ou influenciadores que apoiam o governo.

A mensagem mais compartilhada foi justamente do presidente da República, no dia 14 de agosto, com quase 19 mil retuítes. “Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos. – De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais””, afirma Bolsonaro, citando os dois principais alvos da fúria bolsonarista nas redes sociais.

Uma constatação da Bytes é que, enquanto os bolsonaristas atacam em uníssono o STF, a oposição só menciona o tribunal para criticar Bolsonaro, sem defender a Corte ou promover sua importância para uma sociedade democrática. Para os defensores do governo, a cúpula do Poder Judiciário federal é vista como propagadora de fake news contra Bolsonaro e de colocar obstáculos ao governo no enfrentamento da pandemia – uma mentira divulgada frequentemente pelo presidente.

Nos últimos 30 dias, o Supremo foi mencionado em 2,76 milhões de tuítes no Brasil. Barroso e Moraes são os mais citados – o primeiro, que assumiu a oposição ao voto impresso, ganhou uma hashtag própria: #barrosonacadeia, a principal associada ao STF nesse período. Outra hashtag bastante usada é #stfvergonhanacional, que vem sendo publicada frequentemente desde o ano passado.

Segundo a Bytes, os números mostram que o STF precisa “urgentemente de um meticuloso trabalho de gerenciamento de crise de imagem, uma boa dose de reestruturação de marca e o fortalecimento das relações com os “brand lovers” (que tem devoção a uma marca), a fim de neutralizar a ação dos detratores”.

- Advertisment -spot_img