sábado, março 6, 2021
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Usiminas inicia temporada de balanços de siderúrgicas com salto no lucro e reforça otimismo para o setor

SÃO PAULO – A primeira siderúrgica a reportar os seus resultados fechados de 2020, a Usiminas (USIM5) surpreendeu o mercado com números recordes de receita e uma forte alta no lucro. Com isso, as ações chegaram a subir 5%, ainda que amenizando ao longo do pregão desta sexta-feira (12).

A siderúrgica teve um lucro líquido de R$ 1,913 bilhão no quarto trimestre de 2020, uma alta de 613% em relação aos R$ 268 milhões de lucro em igual período de 2019, enquanto o número foi 866% frente os R$ 198 milhões do terceiro trimestre do ano passado.

Em 2020, a Usiminas reportou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, o maior resultado em dez anos para a companhia, 243% superior ao registrado em 2019, e muito impulsionado pelo lucro da siderúrgica no quarto trimestre.

A receita líquida, por sua vez, subiu 41% no quarto trimestre na base de comparação anual, a R$ 5,47 bilhões, representando a maior receita líquida trimestral da história da Usiminas, principalmente pela elevação da receita líquida na Unidade de Siderurgia (+ R$ 1,2 bilhão versus terceiro trimestre de 2020), Unidade de Transformação do Aço (+R$312 milhões na base trimestral) e Unidade de Mineração (alta de R$ 295 milhões frente o terceiro trimestre). Enquanto isso, o Ebitda ajustado saltou 243%, a R$ 1,607 bilhão.

O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 1,607 bilhão, maior desde 2008 e mais do que triplicando na comparação ano a ano. A margem Ebitda ajustada, por sua vez,  ficou em 29%, de 12% um ano antes.

As vendas de aço cresceram 12%, para 1,133 milhão de toneladas, maior número desde o quarto trimestre de 2015, volume que a companhia espera manter no primeiro trimestre deste ano, quando prevê vendas de aço entre 1,1 bilhão e 1,2 bilhão de toneladas.

A XP aponta que o segmento de mineração foi novamente o destaque, sendo beneficiado pelo aumento do preço do minério de ferro e pela venda de produtos com maior valor agregado. O Ebitda da mineração alcançou R$ 958 milhões no trimestre (alta de 49% na comparação trimestral) e representa o maior Ebitda trimestral da história do segmento. Os preços mais altos de minério de ferro (alta de 13,1% no trimestre) somado à vendas estáveis (2,3 milhões de toneladas, queda de 1% no trimestre) fizeram com que o segmento atingisse um recorde anual de vendas com um volume de 8,7 milhões de toneladas (alta de 0,8% em relação a 2019).

Por outro lado, mesmo com a redução do frete marítimo de 13,2% no trimestre, o custo caixa por tonelada foi impactado por maiores gastos com combustível e custos com manutenção, levando a um aumento de 6,9% na base trimestral.

O custo de produto vendido subiu 9% frente ao último trimestre de 2019, para R$ 3,9 bilhões. A companhia encerrou o quarto trimestre com R$ 4,868 bilhões em caixa e equivalentes de caixa.

A dívida líquida consolidada em 31 de dezembro era de R$ 1,105 bilhão, uma queda de 65% ante o final de dezembro de 2019. O indicador de dívida líquida/Ebitda encerrou o trimestre em 0,3 vez, de 1,6 vez um ano antes.

De acordo com a XP Investimentos, a Usiminas apresentou resultados sólidos, com melhor demanda por aço no mercado doméstico e preços de minério de ferro mais altos. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,46 bilhão, excluindo R$ 151 milhões em vendas de ativos no segmento de siderurgia, alta de 79% na comparação trimestral e 15% acima da estimativa do consenso.

A alavancagem mais baixa, medida pela razão entre dívida líquida e o Ebitda, de 0,3 vez (de 1,2 vez no terceiro trimestre de 2020) foi consequência do resultado operacional mais forte.

O que esperar

A companhia ainda divulgou seu guidance para o ano, estimando investimentos totais de R$ 1,5 bilhão, acima do capex de 2020, de R$ 799 milhões, sendo a maior parte, de R$ 1,2 bilhão, na unidade de siderurgia, que no ano passado recebeu R$ 576 milhões.

A companhia também estimou despesas financeiras líquidas de R$ 300 milhões para 2021, abaixo dos R$ 580,6 milhões de  2020.

Neste cenário, os analistas do Credit Suisse reforçaram a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para a ação da companhia, com preço-alvo de R$ 21,50, destacando que ela é uma opção interessante para capitalização para o momentum positivo para os preços do minério e a demanda de aço plano (mais usado na indústria automotiva e linha branca) estável no Brasil, que deve ter um desempenho mais positivo do que o aço longo (amplamente utilizados pela indústria e construção civil). Vale ressaltar que, no final de janeiro, o banco suíço elevou a recomendação para a Usiminas e reduziu para a Gerdau (GGBR4) levando em conta justamente o cenário diferente para aços longos e planos.

Na mesma linha, o Bradesco BBI também manteve recomendação equivalente à compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 20, apontando a empresa como a principal escolha no setor siderúrgico da América Latina. De acordo com compilação feita pela Refinitiv, 5 casas de análise recomendam compra para a ação, enquanto 5 têm recomendação neutra e 1 tem recomendação de venda.

Os analistas do BBI destacaram em relatório a mensagem positiva transmitida pela companhia durante a teleconferência para comentar os resultados. Miguel Homes Camejo, diretor comercial da companhia, destacou em teleconferência que os preços de aço no mercado brasileiro estão dentro da meta da Usiminas, com uma diferença para cima em relação aos valores internacionais de 10%.

“O objetivo saudável para qualquer mercado interno é um prêmio em torno de 10%. Hoje estamos atendendo este objetivo”, afirmou em videoconferência com analistas ao responder sobre eventuais novos reajustes de preços de aço no Brasil.

Com isso, ao menos no curto prazo, a companhia pode ter encerrado movimento de reajustes, após aplicar altas em janeiro e fevereiro na esteira de fortes incrementos de custos de matéria-prima entre dezembro e o início deste ano, disse Camejo.

O executivo confirmou que a Usiminas reajustou parte dos contratos de fornecimento de aço para o setor automotivo que entram em vigor em janeiro em cerca de 40% e que os acertos com as montadoras restantes deverão ocorrer entre março e abril e poderão ficar acima do índice anterior.

“Desde janeiro houve incremento adicional nos preços internacionais e custos de matéria-prima. E os contratos de março/abril vão ter de refletir os movimentos de outubro até hoje”, afirmou Camejo sem mencionar números. Ele explicou que as negociações com as montadoras têm que ser feitas entre 60 e 90 dias antes da assinatura dos contratos.

Segundo o executivo, os contratos com o setor automotivo iniciados em janeiro correspondem a 20% a 25% dos negócios da Usiminas com montadoras no país.

Na teleconferência, a empresa também destacou que a perspectiva é de reativar o alto-forno 2 em junho. O equipamento foi desligado em abril passado pelos impactos da pandemia e o retorno deve elevar a produção anualizada de aço da Usiminas em 600 mil toneladas, disse Ono.

O religamento reflete um cenário otimista para o mercado de aço no Brasil este ano, com perspectiva de crescimento do PIB de cerca de 3,5%, afirmou Camejo, citando previsões de alta de produção de setores como automotivo, de máquinas e equipamentos e da construção civil. O executivo afirmou que a expectativa é que o consumo de aço no país aumente 6% este ano.

Isso, porém, ainda não é suficiente para que a Usiminas tome a decisão de reativar as áreas de produção de aço bruto da usina paulista de Cubatão, desligadas antes mesmo da pandemia diante da fraca demanda nacional, disse Ono. Com isso, a usina de Cubatão seguirá comprando placas de terceiros para laminação. Ono afirmou que embora a Usiminas deva ampliar sua produção em meados do ano com a reativação do alto-forno 2 de Ipatinga, “dependendo da economia, pode ser que continuaremos comprando placas”.

Os próximos resultados a serem divulgados serão o de CSN (CSNA3), no dia 23 de fevereiro após o fechamento, e de Gerdau, no dia 24 antes da abertura. A expectativa dos analistas são de números positivos para o setor na temporada de balanços do quarto trimestre em meio à alta de preços das commodities (veja mais clicando aqui).

(Com Reuters)

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