quarta-feira, março 3, 2021
Home Brasil Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

SÃO PAULO – Depois da queda de 21% na véspera com os sinais de maior intervenção estatal, os ADRs (ou recibo de ações, na prática, os ativos negociados nos EUA) da Petrobras sobem 3,53% no pré-market da Bolsa de Nova York na manhã desta terça-feira (23), recuperando parte das perdas no dia da reunião do Conselho de Administração da companhia.

No radar dos mercados sobre o encontro, está a pauta sobre a votação do nome do general Joaquim Luna e Silva para substituir Roberto Castello Branco no comando da empresa, ainda que haja informações de que os conselheiros não devem decidir sobre o tema nesta terça, devendo aprovar a convocação de uma nova assembleia com a pauta em até 30 dias. Ainda no noticiário corporativo, atenção para os resultados do quarto trimestre da CSN.

Já no exterior, a sessão é de queda para os principais índices mundiais. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

As bolsas mundiais continuam a ter quedas nesta terça-feira (23). Na segunda-feira, fortes perdas no setor de tecnologia afetaram o índice S&P 500. A alta contínua nos juros de títulos do Tesouro americano continua a alimentar o temor de que empresas com rápido crescimento tenham dificuldade de se financiar. Também há receio de migração de investidores do mercado de ações para esses papéis.

Nos Estados Unidos, o pacote democrata segue avançando nas comissões da Câmara. A Casa pode aprová-lo em plenário até o fim da semana. Apesar da falta de consenso entre os democratas para o avanço do aumento do salário mínimo, grande parte do US$ 1.9 trilhão segue com menores resistências.

Os títulos com vencimento em dez anos continuaram a se valorizar, a 1,376% pela madrugada. Os títulos com vencimento em 30 anos subiram a 2,198%.

No radar dos analistas está a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, em audiência no Senado no começo do tarde. Espera-se que ele comente sobre o valor dos títulos e a perspectiva para a inflação.

As bolsas europeias têm quedas nesta terça. O índice Eurostoxx tem queda de 0,7%, enquanto o setor de tecnologia perde 2,4%. Já as ações do setor de lazer têm altas de 0,7%.

A presidente do Banco Central Europeu Christine Lagarde, afirmou em um discurso que a instituição “continua a monitorar a evolução dos juros nominais de títulos”. Os juros de títulos europeus tiveram quedas, em aparente resposta a sua fala.

Os mercados europeus continuam em uma tendência cautelosa, observando o desempenho na Ásia e nos Estados Unidos, onde ações do setor de tecnologia tiveram quedas nas negociações de overnight.

As ações do Reino Unido acumulam quedas menores, após o governo britânico divulgar propostas na segunda-feira sobre como pretende encerrar as restrições de lockdowns, implementadas em reação ao coronavírus. A reabertura deve ser gradual, mas o governo planeja encerrar todas as restrições ainda em 2021.

O banco HSBC reportou seus resultados em 2021. Os lucros antes de impostos em 2020 caíram 34% em relação ao patamar de um ano antes, para US$ 8,78 bilhões, o que fica acima da expectativa de analistas, de US$ 8,38 bilhões, segundo estimativas compiladas pelo banco.

O banco britânico anunciou o pagamento de dividendos pela primeira vez desde o início da pandemia de covid. Mas as ações da empresa tiveram queda de cerca de 1,4%.

As bolsas asiáticas têm resultados variados entre si. Assim como ocorre na Europa, investidores monitoraram as ações de tecnologia, após a queda nas negociações de overnight nos Estados Unidos. Os mercados permaneceram fechados no Japão por conta de um feriado.

Veja os principais índices às 7h40 (horário de Brasília):
Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,77%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,88%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,32%
Europa
*Dax (Alemanha), -1,98%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,74%
*CAC 40 (França), -0,72%
*FTSE MIB (Itália), -1,52%
Ásia
*Nikkei (Japão), não abriu
*Hang Seng Index (Hong Kong), +1,03% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,31% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,17% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +0,7%, a US$ 62,14 o barril
*Petróleo Brent, +0,78%, a US$ 65,75 o barril
*Bitcoin, -14,71%, a US$ 47.122,17
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 2,94%, cotados a 1107,0 iuanes, equivalente hoje a US$ 171,33 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,46

2. Agenda do dia

Às 7h foi divulgado o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) na Zona do Euro, que apontou queda de 0,9% em janeiro na comparação anual, em linha com a expectativa de analistas. O índice anterior tivera queda de 0,3%. Na comparação mensal, o índice avançou 0,2%, também em linha com a expectativa. O indicador anterior viera em alta de 0,3%.

Às 8h, a FGV divulga o índice de inflação IPC-S, relativo a 22 de fevereiro.

Às 11h, é divulgado o índice de compra de preços de imóveis nos Estados Unidos no quarto trimestre, e o índice FHFa de preços de casas, relativo a dezembro. Também às 11h é divulgado o índice S&P CoreLogic, relativo a 20 cidades em dezembro nos Estados Unidos.

Às 12h, o presidente do Fed Jerome Powell apresenta o Relatório de Política Monetária Semianual. Também às 12h são divulgadas as expectativas e a visão sobre a situação atual, pela Conference Board, relativos a fevereiro, nos Estados Unidos. No mesmo horário, o Fed de Richmond divulga seu índice de manufatura, relativo a fevereiro.

3. Noticiário político

De acordo com informações do Valor, aguardado pela classe política para destravar mais quatro meses de pagamento do auxílio emergencial, o parecer do senador Márcio Bittar (MDB-AC) sobre a proposta de emenda constitucional (PEC) emergencial foi adiado de novo, desta vez para hoje, diante de impasses nas negociações.

Desde o fim do ano passado, a proposta já vem sendo desidratada para excluir as medidas de ajuste fiscal mais duras e, no fim de semana, ocorreu uma nova rodada de “enxugamento”. A votação em primeiro turno no plenário do Senado está marcada para quinta-feira e o parecer seria apresentado formalmente ontem, após ser enviado para os partidos para uma análise final, mas questões polêmicas como o fim do piso para gastos com saúde e educação levaram a mais negociações e adiaram o protocolo.

Ainda no radar dos mercados, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) anunciou que mais 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pela parceria entre Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZêneca devem chegar ao Rio nesta terça.

O Instituto Butantan, em São Paulo, também anunciou que vai entregar 2,7 milhões de doses da CoronaVac, produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, nesta semana.

O aumento da ocupação de leitos de UTI em São Paulo devem levar o governo do estado a anunciar uma nova revisão no combate a pandemia e impor na quarta limitações de mobilidade e funcionamento de estabelecimentos em algumas regiões.

Na segunda, o estado registrava 6.410 pacientes internados em UTIs com covid. A máxima havia sido de 6.250, segundo apontou o coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, em coletiva à imprensa no Palácio do Bandeirantes. Por isso, a equipe multidisciplinar que comanda apresentou recomendações extraordinárias, que deverão ser anunciadas na quarta.

Além disso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou, após reunião com o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que o COngresso deve elaborar um projeto autorizando não só União, mas estados, municípios e a iniciativa privada a assumirem a compra de vacinas contra a covid. A proposta seria uma forma de viabilizar um acordo para compra dos imunizantes desenvolvidos pela Janssen, que pertence à Johnson & Johnson, e pela parceria entre Pfizer e BioNTech.

“Identificamos um caminho inteligente, que eu considero seguro, que é de uma alternativa legislativa. Um projeto que será concebido, eu acredito, ainda hoje no âmbito do Senado Federal para que encontremos um caminho que autorize a União, mas também Estados e municípios a assumirem os riscos das compras das vacinas”, afirmou Pacheco.

No domingo, o Ministério da Saúde divulgou uma nota afirmando que pedira apoio ao Planalto para destravar negociações com as farmacêuticas. A Pfizer afirmou que as cláusulas estão em linha com aquilo pedido em outros países. A Janssen afirmou que mantém diálogo frequente com a pasta e com a Anvisa, e que os termos contratuais estão em linha com o pedido em outros países.

4. Reunião do Conselho da Petrobras

O Conselho de administração da Petrobras (PETR3;PETR4) se reúne nesta terça-feira para examinar pedido do governo de realização de Assembleia Geral Extraordinária para discutir os próximos passos da companhia, após o presidente Jair Bolsonaro indicar o general da reserva Joaquim Silva e Luna, diretor-geral da Itaipu Binacional, para ocupar o cargo de presidente da estatal. Na véspera, os papéis caíram cerca de 20%, na pior queda desde 9 de março de 2020, em meio aos sinais de maior intervenção estatal na empresa.

Vale destacar que, na noite da véspera, o relator da Lei de Responsabilidade das Estatais no Senado, o senador Tasso Jereissati enviou carta aos conselheiros da Petrobras e ao presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Barbosa, para alertar que a troca de comando da companhia feita pelo presidente Jair Bolsonaro está em desacordo com a legislação aprovada em 2016. Na carta, o senador tucano manifesta preocupação com a decisão do presidente e diz que a decisão de Bolsonaro não visa o interesse da empresa. Veja mais clicando aqui.

Na segunda-feira, os mercados reagiram negativamente à troca do comando da Petrobras de Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Luna e Silva, anunciada no final da semana anterior pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os papéis preferenciais da estatal desabaram 21,5%, enquanto as ações ordinárias despencaram 20,5%. O Ibovespa caiu 4,9%.

A desvalorização da Petrobras ultrapassou a marca de R$ 100 bilhões em dois pregões, afetando também outras estatais. A cotação do dólar atingiu R$ 5,45, e o risco país subiu 11%.

Após a interferência, Bolsonaro afirmou a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada que “ninguém vai interferir na política de preços da Petrobras”, em uma declaração transmitida por um canal simpático ao presidente. “Eu não peço não, eu exijo transparência de quem é subordinado meu”, afirmou.

“Falaram interferência minha. Baixou o preço do combustível? Foi anunciado 15% [de aumento] no diesel, 10% na gasolina. Abaixou o percentual? Está valendo o mesmo percentual? Como é que houve interferência? O que eu quero da Petrobras e exijo é transparência e previsibilidade, nada mais além disso”, afirmou.

O vice Hamilton Mourão afirmou que a mudança está dentro da atribuição do presidente, e disse que não vê interferência. Ele afirmou que vê como solução a criação de um fundo soberano a partir de royalties do petróleo, que poderia ser usado para compensar momentos de flutuação de preços.

Ao analisar uma ação popular, a Justiça Federal de Minas Gerais decidiu que o presidente e a Petrobras têm 72 horas para explicar os motivos que levaram ao anúncio da mudança.]

Na ação, dois advogados pedem que a Justiça dê uma liminar para barrar a troca na direção da Petrobras. O juiz federal André Prado de Vasconcelos decidiu que, antes de julgar o pedido, quer ouvir as partes envolvidas.

“Por oportuno, destaco que, conforme amplamente divulgado pelos veículos de comunicação, a aprovação do indicado para a presidência da Petrobras depende de deliberação do respectivo Conselho de Administração, ainda não ocorrida”, disse.
“Assim, intimem-se os réus tão-somente para manifestação, no prazo de 72 (setenta e duas) horas, sobre o pedido de liminar, articulando, de forma concisa e objetiva, as razões e argumentos que entender pertinentes e relevantes à discussão da causa”, afirmou o magistrado.

A Advocacia-Geral da União, que representa o presidente judicialmente, disse que não comenta processos em tramitação na Justiça. A Petrobras não respondeu de imediato pedido de comentário.

5. Radar corporativo

A temporada de resultados prossegue e tem como destaque a CSN, que lucrou R$ 3,897 bilhões no 4º trimestre de 2020, alta de quase 3,5 vezes ante o lucro de R$ 1,134 bilhão em igual período de 2019. A receita líquida somou R$ 9,794 bilhões de outubro a dezembro do ano passado, 50,1% maior ante os R$ 6,524 bilhões de igual intervalo de 2019.

Já a Itaúsa teve lucro líquido de R$ 3,66 bilhões no quarto trimestre, alta de 6,2% ante mesma etapa de 2019. A Transmissão Paulista viu o lucro líquido do quarto trimestre de 2020 subir 8,4%, a R$ 374,4 milhões, contra os R$ 345,4 milhões registrados nos últimos três meses de 2019. A companhia ainda aprovou dividendos intermediários de R$ 531,2 milhões. Após o fechamento, serão divulgados os balanços de GPA e Unidas.

O Banco do Brasil  informou na segunda não ter recebido qualquer indicação de mudança na composição de seu corpo diretivo. O fato relevante divulgado pela instituição se deve o recente noticiário envolvendo a companhia e a oscilação atípica dos papéis. As ações do banco despencaram 11,65% nesta segunda, em meio aos temores de que o BB seria o próximo alvo de interferências do governo. Em valor de mercado, a empresa perdeu R$ 10,9 bilhões apenas no pregão de ontem.

A Braskem investe US$ 61 milhões para ampliar capacidade de eteno verde.

Em curso gratuito, analista Pamela Semezzato explica como conseguiu extrair da Bolsa em um mês o que ganhava em um ano em seu antigo emprego. Deixe seu e-mail para assistir de graça.

The post Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira appeared first on InfoMoney.

- Advertisment -