sábado, abril 10, 2021
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O que é e para que serve o hedge?

No mercado financeiro, é comum o uso de expressões em inglês nas mesas de operações e no âmbito das instituições. Esse é o caso de hedge, que significa limite, proteção.

Trata-se de um mecanismo muito utilizado pelos investidores como forma de proteger a carteira da alta volatilidade do mercado.

Assim, no contexto financeiro, o hedge representa um limite para a operação do investidor. Ou seja, uma operação de hedge é uma operação na qual você deixa seus cenários pré-definidos.

“O meu ganho pode ir daqui até ali e a minha perda também. No melhor cenário, eu saio aqui e, no pior, ali.” Em outras palavras, você consegue delimitar a sua operação.

E se algum acontecimento impactar fortemente o setor no qual tenho ações? A resposta é a mesma: graças ao hedge feito no início da operação, todos os cenários já foram pensados. E não haverá sustos no final da história.

O seu “pacote de investimentos” estará, portanto, totalmente amarrado.

Por exemplo, digamos que você invista em uma empresa frigorífica exportadora. Essa empresa produz carne e distribui para seus clientes em todos os lugares do mundo.

Porém, como ela negocia com os EUA, tem de ficar atenta para acompanhar se o dólar terá alguma oscilação de preço frente ao real no intervalo de tempo entre o fechamento do contrato até o recebimento do pagamento.

Dá para garantir que nada inesperado irá ocorrer? Não. Então, para esse exemplo, em especial, poderemos sugerir que a empresa faça um hedge cambial ou uma limitação da sua operação.

Como, afinal, fazer um hedge cambial?

Digamos que a empresa feche um contrato hoje para entrega de carne nos EUA no mês que vem. Como será uma compra grande, o comprador consegue barganhar a ponto de o pagamento da mercadoria ser feito daqui a um ano.

Nesse intervalo de tempo, o proprietário do frigorífico não quer que o seu contrato seja alterado por conta da oscilação do dólar.

O que ele pode fazer? Pense que o dono do frigorífico tenha acertado um recebimento US$ 100 milhões no final do ano que vem. Atualmente, USS 1,00 está custando aproximadamente R$ 5,70. Ou seja, US$ 100 milhões representariam um total de R$ 570 milhões.

Mas podem acontecer três coisas até lá:

– O dólar cair
Se o dólar for a R$ 4, por exemplo, o fornecedor vai receber apenas R$ 400 milhões – abaixo da expectativa de quando o contrato foi fechado.

– O dólar subir
Se o dólar for a R$ 7, o fornecedor vai receber R$ 700 milhões – acima da expectativa de quando o contrato foi fechado.

– O dólar ficar estável

Se o dólar permanecer no mesmo patamar, o fornecedor não terá surpresas. Mas, como ele não está disposto a ficar exposto a isso, pode fazer um hedge cambial apostando na queda do dólar:

1. Se o dólar cair, ele vai GANHAR nos seus investimentos e PERDER no recebimento do pagamento estrangeiro. Ou seja, ficará no zero a zero.
2. Se o dólar subir, ele vai PERDER nos seus investimentos e GANHAR no recebimento do pagamento estrangeiro. Ou seja, ficará no zero a zero.
3. Se o dólar ficar no zero a zero, ele não vai ganhar ou perder em nenhuma das frentes.

Porém, é importante ficar atento porque essas operações de proteção de capital têm um custo de execução.

Na Clear, por exemplo, esse custo já é bem reduzido, por não existir a taxa corretagem incidindo sobre o capital. Nesse caso, o investidor irá pagar apenas as taxas da Bolsa de Valores, que, dependendo do volume total da operação, são consideradas irrelevantes.

O que pode pesar um pouco na decisão de fazer ou não essa proteção com o hedge é a garantia exigida em ativos financeiros como ações, títulos ou mesmo dinheiro, que a empresa ou o investidor terá de depositar na corretora.

De modo geral, é necessário fazer um depósito de R$ 3 mil a cada US$ 10 mil investidos. No entanto, isso exigirá que a empresa tenha um valor de caixa para fazer essa operação, e só depois dela ser finalizada é que o valor de garantia é devolvido para ela.

Vale frisar que o hedge só deve ser feito com o ÚNICO objetivo de proteger o capital de oscilações indesejadas e assim possibilitar que a empresa ou o investidor não tenham surpresas em decorrência da variação do câmbio.

Esse foi apenas um exemplo de hedge, mas existem vários outros no mercado. Podem ser feitos, inclusive, hedges com derivativos, como as travas de opções. Mas essas são cenas dos próximos capítulos.

Em resumo, quais as vantagens do hedge?

Fazendo o hedge da sua carteira ou apenas de um ativo, você se protege de possíveis oscilações que não está disposto a enfrentar.

Assim, é possível traçar um horizonte de ganhos ou de perda máxima bem definido, sem ter surpresas no vencimento da sua operação. A jornada de investimento funcionará, portanto, de acordo com as suas expectativas.

A vantagem é exatamente não depender de certa estabilidade econômica interna ou externa, não ficar exposto a oscilações cambiais ou a eventos relevantes inerentes a sua posição.

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