quinta-feira, abril 22, 2021
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Ipiranga puxa resultado do 4º tri da Ultrapar para baixo e ações caem 7,5%: há sinais de dias melhores para companhia?

SÃO PAULO – Entre as que divulgaram os seus números do quarto trimestre de 2020 entre a noite da última quarta-feira (24) e a manhã desta quinta (25), a Ultrapar (UGPA3, R$ 19,68, -7,52%)foi uma das empresas decepcionou os investidores. Com isso, os ativos UGPA3 registraram queda de cerca de 7,5% na sessão desta quinta-feira (25).

O grupo multiindustrial passou de prejuízo para lucro no quarto trimestre, uma vez que resultado financeiro positivo e a fraca base de comparação compensaram o efeito da piora operacional devido à crise provocada pela Covid-19. Porém, do lado operacional, o resultado não agradou.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 432 milhões entre outubro e dezembro, revertendo prejuízo de R$ 268 milhões em igual período de 2019. Além disso, a Ultrapar teve receita financeira líquida de R$ 136 milhões no trimestre, com a apropriação de juros sobre créditos tributários referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, de 160 milhões, e do resultado positivo de marcação a mercado dos hedges cambiais. Um ano antes, a Ultrapar teve despesa financeira líquida de 252 milhões.

Do ponto de vista operacional, entretanto, a receita líquida do grupo, de R$ 23,2 bilhões, foi 2% menor ano a ano, refletindo sobretudo o recuo de 6% no faturamento na rede de postos de combustíveis Ipiranga, seu principal negócio. Da mesma forma, o lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, excluindo efeitos não recorrentes, caiu 11%, para 865 milhões de reais.

Os resultados foram piores que os do trimestre anterior, puxados por alta de custos dos combustíveis na bandeira Ipiranga, diminuindo a rentabilidade, porém parcialmente compensado por resultados recordes de Oxiteno e desempenho consistente de Ultragaz, com desempenho levemente acima do esperado. Além disso, a Extrafarma também apresentou resultados sequencialmente melhores.

“Destacamos como negativa a deterioração das margens Ebitda por metro cúbico da distribuidora de combustíveis Ipiranga que veio a R$ 75,7/m3 comparado a R$ 100,0/m3 do semestre anterior e com nossa estimativa de R$ 90,9/m3 para o quarto trimestre. Na nossa visão, tal performance ilustra os níveis ainda elevados de competição do setor de distribuição de combustíveis, que acabaram por levar a uma redução estrutural de margens no segmento”, avaliam Gabriel Francisco e Maira Maldonado, analistas da XP Investimentos.

A Levante também destaca que contribuiu negativamente para a margem a paridade de preços de combustíveis na refinaria, abaixo dos preços de importação no quarto trimestre de 2020, isso segundo a própria companhia. Por outro lado, apesar dos resultados ruins de Ipiranga, o desempenho dos demais negócios compensaram, mantendo a sólida geração de caixa da companhia no ano que atingiu R$ 2,1 bilhões.

A companhia também apresentou um guidance (projeções)  otimista, aponta a casa de análise. O Ebitda total projetado pela companhia para este ano ficou entre R$ 3,8 a R$ 4,5 bilhões no total, com o piso da faixa 15% acima do registrado pela Ultrapar em 2020 (R$ 3,31 bilhões de Ebitda recorrente).

O Bank of America e o Bradesco BBI esperam uma melhora contínua para a Ultrapar no primeiro trimestre de 2021. Segundo os analistas do BBI, principalmente por conta da Oxiteno, enquanto o BofA espera uma melhora gradual contínua nas tendências gerais dos negócios nos próximos trimestres, o que deve contribuir para um desempenho sólido dos lucros nos seguintes períodos.

Por outro lado, há pontos de atenção. A volatilidade nos preços dos combustíveis é prejudicial aos distribuidores, que têm dificuldades em repassar os custos integralmente no curto prazo, devido à composição de seus estoques e complexidade da cadeia de distribuição, aponta a Levante.

Além disso, avaliam os analistas, a incerteza em torno da política de preços e do comando da Petrobras (PETR3; PETR4), pode prejudicar o processo de desinvestimento das refinarias, no qual a Ultrapar já possui proposta vinculante na planta do Rio Grande do Sul (Refap), com efeitos negativos sobre o preço de suas ações.

Sobre o tema, Frederico Curado, presidente da Ultrapar, destacou em teleconferência que a companhia segue mantendo negociações com a Petrobras e não houve até o momento nenhuma mudança na direção da estatal sobre a venda de ativos no setor de refino. Quando questionado sobre a atratividade do setor de refino caso a Petrobras altere sua política de preços, o CEO respondeu: “Se houver um subsídio à la o que aconteceu em anos anteriores, como 2015, vemos isso como estruturalmente improvável…no longo prazo. Temos alguns marcos regulatórios importantes”.

A Petrobras está tentando vender oito refinarias, o que acabaria com o virtual monopólio da estatal no setor de refino do país e abriria um dos maiores mercados de combustível do mundo para investidores privados. A Ultrapar está liderando negociações para a aquisição da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).

O BBI aponta que o mercado continua a temer o aquisição potencial da Refap e quais implicações uma nova política de preços da Petrobras pode trazer para este ativo enquanto o BofA aponta que, embora existam aspectos interessantes para um investimento em refinaria, grande parte do valor dependerá do desempenho dos preços do produto refinado no Brasil, do nível de competição e de investimentos.

Já entre os pontos que podem ser positivos, a Levante ressalta que a companhia anunciou investimentos em expansão e modernização em 3 de seus negócios (Ultragaz, Ultracargo e Ipiranga), destinando o montante de investimento em Extrafarma e Oxiteno apenas para a manutenção, sinalizando definitivamente que irá se desfazer de ambos os negócios. Isso é positivo para a companhia, que mira concentrar esforços na cadeia de energia.

Assim, três pontos devem ser observados de perto pelos investidores de Ultrapar: i) recuperação da rentabilidade em Ipiranga; ii) processo de desinvestimentos de Oxiteno e Extrafarma e iii) Processo de aquisição da Refap.

A XP Investimentos possui recomendação neutra para os papéis UGPA3, com preço-alvo de R$ 23, enquanto BBI tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e o BofA tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 26,35. De acordo com a compilação com 13 casas de análise, segundo dados da Refinitiv, 8 recomendam compra para o ativo, enquanto 5 possuem recomendação equivalente à neutra para os papéis. O preço-alvo médio, por sua vez, é de R$ 24,15, o que configura uma alta de 13,5% em relação ao fechamento da véspera. A expectativa é por resultados melhores, mas muitos pontos devem ser monitorados de perto pelos investidores da companhia.

(Com informações da Reuters)

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