domingo, abril 11, 2021
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Dividendo bilionário da CPFL não agrada e ações registram queda, apesar de bom resultado

SÃO PAULO – As empresas do setor de energia são conhecidas como boas pagadoras de dividendos, por terem a receita mais previsível e baixa volatilidade de lucros.

Neste sentido, junto com o resultado do quarto trimestre de 2020, a CPFL Energia (CPFE3) propôs um pagamento de dividendo de R$ 1,731 bilhão referente aos resultados de 2020, correspondente a R$ 1,50 por ação ou um dividend yield (dividendo sobre o preço da ação) de 4,9%. A Assembleia Geral Ordinária da Companhia será realizada no dia 30 de abril de 2021.

Apesar do número ser bastante robusto à primeira vista, ele decepcionou as estimativas do Itaú BBA, que era de um dividendo de R$ 3,5 bilhões, mudança essa principalmente por conta do dividend payout (dividendo em relação ao lucro) de 100% para 50%.

Os analistas do Itaú BBA publicaram relatório antes da abertura do mercado nesta sexta-feira (26) já projetando uma reação negativa do mercado com os dividendos mais fracos do que o esperado – e foi o que aconteceu. Os papéis CPFE3 chegaram a cair 3,90% sendo que, às 12h50 (horário de Brasília), a baixa era de 2,66%, a R$ 29,95.

Por outro lado, o Credit Suisse destacou a informação dada pela companhia de que os dividendos podem aumentar caso possíveis acordos de fusões e aquisições não se concretizem.

Já com relação ao resultado em si, as visões foram distintas, ainda que tendendo para o lado positivo.

A CPFL Energia registrou lucro líquido de R$ 989 milhões  no quarto trimestre de 2020, alta de 15,5% ante mesmo período de 2019, ajudada por efeitos de um acordo entre empresas de energia e o governo sobre o chamado risco hidrológico na operação de usinas.

A companhia, que opera empresas de distribuição e tem negócios em geração, energia renovável, transmissão e comercialização, fechou o ano completo de 2020 com ganhos de 3,70 bilhões de reais, salto de 34,9% em base anual, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira.

Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) atingiram R$ 1,9 bilhão entre outubro e dezembro, aumento de 10,4% frente aos mesmos meses de 2019. No ano, o Ebitda subiu 6%, para R$ 6,78 bilhões. A CPFL Energia somou uma receita operacional líquida de R$ 9,274 bilhões no quarto trimestre, alta de 15,6% em comparação anual. No total do ano, a receita foi R$ 30,898 bilhões, crescimento de 3,2%.

A companhia destacou no último trimestre o resultado dos negócios de geração, que encerraram com lucro líquido de R$ 502 milhões, acima dos R$ 354 milhões de 2019. Houve também retomada no volume de vendas de energia, que cresceu 1,8% no quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2019, puxado pelos clientes residenciais, que apresentaram aumento de 5,5%.

O Credit Suisse classificou os resultados operacionais da CPFL Energia como bons, impulsionados por uma performance de custos razoável. Segundo o banco, os gastos totais subiram 16,3%, frente a expectativa do Credit de 9%. As despesas com pessoal, material, serviços e outras subiram 13,6%, em linha com a expectativa do Credit. A taxa de perdas consolidada continuou estável, em linha com a expectativa do banco.

O banco mantém recomendação outperform (expectativa de valorização dentro da média do mercado), com preço-alvo de R$ 40,3, frente a R$ 30,77 de fechamento na quinta.

O Itaú BBA também classificou os resultados da CPFL no quarto trimestre como sólidos, com o Ebitda recorrente levemente acima de sua estimativa devido a resultados acima do esperado na divisão de distribuição. O banco destaca que a empresa propôs dividendo de R$ 1,731 bilhão para os resultados de 2020, abaixo de sua expectativa, de R$ 3,5 bilhões. O BBA mantém avaliação de outperform, e preço-alvo de R$ 37, frente aos R$ 30,77 negociados na quinta.

Por outro lado, de acordo com a Levante Ideias de Investimentos, a CPFL Energia divulgou resultados mais tímidos, abaixo das expectativas, agravado por um menor volume de vendas e piora de suas despesas operacionais.

Em paralelo aos resultados, a CPFL divulgou um novo plano de investimentos para os próximos cinco anos, que prevê aportes totais de R$ 15,22 bilhões até 2025, contra uma previsão anterior de R$ 13,5 bilhões. Somente em 2021 os investimentos estão estimados em R$ 3,4 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões para a área de distribuição. As projeções vêm após um aporte recorde da empresa em 2020, de R$ 2,8 bilhões, o que representou aumento de 24,6% na comparação com 2019. A área de distribuição da elétrica recebeu R$ 2,3 bilhões.

Já do lado positivo, a companhia apresentou um recuo em sua dívida líquida, de 6,8% na comparação anual, totalizando R$ 15,7 bilhões no trimestre. Sua relação dívida líquida sobre Ebitda também reduziu para patamares mais saudáveis, de 2,52 vezes em quarto trimestre de 2019 para 2,19 vezes em igual período de 2020.

De qualquer forma, em relação ao setor elétrico, os analistas mantêm uma perspectiva positiva, ancorada na sua resiliência, geração de caixa mais estável e capacidade de distribuição de dividendos elevados, refletindo seu caráter menos cíclico.

“Nesse sentido, a despeito dos desafios impostos pela segunda onda da pandemia à economia brasileira, acreditamos que o setor será um dos menos atingidos. Nossa visão construtiva também se sustenta no marco regulatório amadurecido, o qual, apesar de ameaças populistas, se mantém sólido e protegido”, apontam.

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