sábado, junho 19, 2021
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Bitcoin chega a desabar mais de 20% e fica abaixo de US$ 40 mil pela primeira vez em 3 meses

SÃO PAULO – O Bitcoin chegou a desabar mais de 20% nesta quarta-feira (19) e caiu abaixo da marca de US$ 40 mil, atingindo uma mínima em três meses e meio diante de notícias de que a China impôs restrições a transações que envolvam moedas digitais.

Às 12h13 (horário de Brasília), o Bitcoin caía 13,72% a US$ 37.200, chegando a uma queda acumulada de 32,83% em uma semana. Na mínima do dia, a criptomoeda chegou a US$ 30.681. Em reais, a moeda digital recua 15,44% em 24 horas, a R$ 193.738.

O movimento acabou contaminando outros ativos digitais como Ethereum, que despenca 21,35% a US$ 2.645 e Dogecoin, que desaba 22,93%, a US$ 0,36.

Agências de notícias passaram a divulgar ainda na noite de ontem que instituições financeiras e empresas de meios de pagamento da China não podem mais participar de quaisquer transações relacionadas a criptomoedas, nem devem fornecer serviços relacionados aos seus clientes.

O Banco do Povo da China (PBoC) emitiu um alerta, por meio de sua conta no aplicativo WeChat, sobre o alto nível de especulações das criptomoedas e proibiu instituições financeiras e de pagamentos de realizarem operações com essas divisas. Segundo o PBoC, moedas digitais não podem ser usadas como forma de pagamento porque não são moedas reais.

Apesar dos especialistas ressaltarem que operações com critpomoedas já não eram permitidas na China, a informação se juntou ao cenário já negativo que tem afetado o mercado de criptoativos há pelo menos uma semana.

Na semana passada, houve uma queda acentuada nos preços, principalmente do Bitcoin após o CEO da Tesla, Elon Musk, suspender a venda de carros da companhia com pagamento em bitcoins.

“Estamos preocupados com o rápido uso crescente de combustíveis fósseis para mineração e transações com Bitcoin, especialmente o carvão, que tem as piores emissões de qualquer combustível”, escreveu o empresário.

Musk ainda chegou a sugerir durante o último fim de semana que a Tesla poderia vender os bitcoins que possui. Na ocasião, a criptomoeda recuou mais de 9%. Ele negou a informação, mas não foi suficiente para a moeda se recuperar.

Nos menores patamares atingidos nesta quarta, o Bitcoin chegou ao preço que era cotado antes de Tesla anunciar, em fevereiro, uma compra de US$ 1,5 bilhão na criptomoeda, o que, na época, fez o preço do ativo disparar mais de 15% em poucas horas.

De qualquer forma, essa combinação de fatores, puxadas pela notícia envolvendo a China, também pesou no mercado de derivativos, com grandes quantidades de posições em aberto. Com investidores operando alavancados e com ordens automáticas de vendas – buscando evitar perdas muito acentuadas -, o início de uma derrocada cria um efeito cascata que aciona essas ordens e piora ainda mais a queda dos preços.

Segundo Bruno Milanelo, da área de Investimentos do Mercado Bitcoin, a queda de hoje é resultado de uma confluência de fatores que envolve as falas de Musk, a não mudança de postura da China, que continua a banir o trading de criptoativos, o alto volume de derivativos e os estímulos econômicos dos Estados Unidos.

Em relação a este último ponto, Milanelo argumenta que com a economia voltando ao normal e as pessoas voltando a gastar e morar nos grandes centros, os preços de imóveis e aluguéis estão subindo rápido, enquanto o dinheiro recebido nos programas contra os impactos da Covid desde 2020 foi parar em bitcoins compradas aos US$ 20 mil. “Com a valorização até US$ 60 mil, as pessoas começaram a vender e embolsar lucros para retomar a vida”, analisa.

À Reuters, analistas do JPMorgan disseram que os investidores podem estar migrando do Bitcoin de volta para o ouro.

O que esperar para o futuro?

Especificamente sobre a China, na opinião de Fábio Alves Moura, sócio-diretor da AMX Law, as autoridades nacionais perceberam que as criptomoedas são difíceis de combater e contam com uma série de vantagens, então diversos países estão tentando criar suas próprias moedas digitais.

“Os Estados tendem a impulsionar suas próprias moedas, criando restrições às moedas livres como o Bitcoin. Então vejo muito mais isso como uma tentativa de repressão do Estado chinês contra as criptomoedas independentes do que uma batalha contra a especulação, já que a China tem há muito tempo uma regulação forte contra especulações no mercado financeiro.”

Para Alves Moura, outros países podem seguir esse caminho e se as moedas digitais quiserem sobreviver nesse cenário precisarão não só criar soluções de utilização como explorar as saídas legais para continuarem a funcionar.

Já Beibei Liu, CEO da NovaDAX, afirma que era normal a ocorrência de correções no valor do Bitcoin, pois a alta recorde da moeda trouxe inúmeros investidores para o mercado de criptos, o que afetou a liquidez do BTC.

“É normal que as moedas experienciem correções depois de um bull market. Semanas atrás, o BTC atingiu sua máxima histórica nos US$ 64 mil. Para investidores com pouca experiência, uma queda de 10% já acaba preocupando e eles podem começar a vender”, destaca.

Liu questiona se os investidores não verão esse movimento de baixa como algo que os deixa mais confortáveis para comprar bitcoins a um preço menor.

Por outro lado, a empresária lembra que o DeFi (sistema de finanças descentralizadas) contribuiu nesta situação com o mercado de empréstimos garantidos.

Ela explica que, hoje, por exemplo, colocando US$ 10 mil em Ethereum é possível emprestar US$ 7 mil em stablecoin, mas se o preço do Ethereum entrar em colapso o sistema DeFi venderá automaticamente a posição do investidor na moeda para reembolsar ao credor o stablecoin emprestado.

“Se falarmos sobre isso no pregão diremos que todo o mercado tem uma ordem de stop-loss em execução de 30%-40% menor em todos os momentos. Isso significa que se a queda do preço da criptografia atingir 30%-40% todas as plataformas de DeFi venderão automaticamente mais criptos, o que pode acelerar a queda para 50%, 70%, 80% ou até 95% em minutos. Isso arruinaria a confiança no mercado cripto e pressionaria os reguladores a começarem a questionar se produtos financeiros não regulamentados deveriam ser disponibilizados para o investidor médio”, alerta Liu.

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