sábado, abril 10, 2021
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Bancos colocam Petrobras de volta ao radar após turbulência, mas ação fica para trás entre as preferências do setor

SÃO PAULO – Com a turbulência registrada durante a segunda quinzena de fevereiro com as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) em meio ao anúncio da mudança repentina de CEO sinalizando interferência política na estatal, muitos analistas reduziram ou suspenderam a sua recomendação para os papéis. Passado o pior momento e após os ativos despencarem na Bolsa, algumas casas de análise revisaram novamente os seus números para a companhia.

Mesmo com algumas vislumbrando um cenário com maiores definições à frente, a incerteza ainda predomina. Além disso, alguns bancos, que antes apontavam a Petrobras como a preferida da América Latina em meio ao avanço na venda de ativos e foco no pré-sal, agora colocam a estatal brasileira atrás na lista de preferências dentro do setor.

Em relatório desta segunda-feira (15), os analistas do Bank of America elevaram a recomendação para as ações ordinárias e preferenciais e para os American Depositary Receipts (ADRs, ou papéis da companhia negociados na NYSE) da Petrobras de underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para neutra. O preço-alvo para os ativos negociados na B3 teve leve alta de R$ 29 para R$ 30, enquanto os ADRs tiveram o target elevado de US$ 11 para US$ 11,30.

A expectativa é de força para o mercado de petróleo, ainda mais após o acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) com a manutenção dos níveis de produção de petróleo em abril iguais aos de março no início do mês, o que significa extensão dos cortes na produção.

De acordo com os analistas Frank McGann e Vlad Sergievskii, apesar da alta da commodity poder, a princípio, levar a uma perspectiva mais positiva, as preocupações com a independência da empresa e as possíveis mudanças na estratégia com uma nova equipe de gestão podem manter a percepção de alto risco e limitar as altas para as ações. “Mas, com a queda de 22% das ações no mês passado e 27% no acumulado do ano, acreditamos que o risco de queda possa ser limitado”, avaliam.

Enquanto a recomendação é neutra para a Petrobras, os analistas do banco americano elevaram “duplamente” a recomendação para a estatal colombiana Ecopetrol, indo de underperform (desempenho abaixo da média de mercado) para compra.

“A previsão do preço do petróleo mais alto é particularmente importante para a Ecopetrol e deve fornecer um fluxo de caixa muito mais forte, o que poderia financiar oportunidades de crescimento. A oferta para a compra da gigante de redes de transmissão ISA na Colômbia, se concluída, poderia adicionar um portfólio atrativo de ativos de energia ao portfólio da Ecopetrol”, avaliam. O preço-alvo do ADR teve alta de US$ 9,90 para US$ 16,50, enquanto o preço-alvo da ação negociada na Bolsa da Colômbia foi de 2.045 pesos colombianos para 2.800 pesos colombianos.

A argentina YPF, por sua vez, foi mantida em underperform, dada a visão dos analistas do BofA de que a incerteza econômica na Argentina pode limitar o potencial de desbloquear totalmente os valores do ativo do portfólio não convencional da empresa. “Ainda assim, vemos alguma melhora no valor do ambiente de preços mais altos do petróleo, e aumentamos nosso preço-alvo para o ADR de US$ 4,00 para US$ 4,65 e para as ações negociadas na Merval de 600 pesos argentinos para 695 pesos argentinos”, pontuam os analistas.

Na mesma linha, o Morgan Stanley destacou que, contrariando as suas preferências históricas, colocou a Colômbia entre as suas preferências no setor petroleiro na região, elevando a recomendação dos ADRs da Ecopetrol para overweight (exposição acima da média do mercado), destacando o fluxo de caixa de baixo risco nos próximos dois anos e com expectativa de um dividend yield (valor do dividendo em relação ao preço da ação) de 8%. O preço-alvo para o ADR, de US$ 18,40, implica em um potencial de alta de 39% frente o fechamento da última sexta-feira (12).

“Nos últimos anos, o Brasil – e a Petrobras – têm sido nossas preferência por tocar esses temas, mas as ações da Ecopetrol ganharam nossa atenção”, avaliam, destacando o desconto em relação à alta do petróleo e o potencial com a aquisição da ISA.

Com relação à Petrobras, os analistas do Morgan, que tinham suspendido a sua recomendação em 22 de fevereiro para os ADRs da companhia, agora possuem recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para os ativos, com preço-alvo de US$ 8,20 para os ADRs.

“Ainda acreditamos nos fundamentos de longo prazo, mas os fatores de risco são altos e justificam a nossa recomendação. Após a forte saída inicial dos investidores após a nomeação do governo de um novo CEO devido a opiniões divergentes sobre a paridade de preços de combustível, a ação parece ter se estabilizado, mesmo que se espere uma volatilidade mais alta”, avaliam os analistas do Morgan. O sentimento pessimista, apontam, parece estar no preço, pelo menos parcialmente.

Leia mais: Ação da PetroRio se destaca cada vez mais em meio à turbulência na Petrobras, mas ela tem espaço para novas altas?

Porém, a falta de catalisadores positivos de curto prazo faz com que os analistas pensem que o caso mais negativo possa ser tão plausível quanto o caso básico. “Acreditamos que o mercado irá ignorar as chances de um case otimista no futuro previsível”, citando o debate eleitoral de 2022, com a atual administração e oponentes sendo contra a política de preços de combustível em vigor, colocando em xeque a agenda de privatização das refinarias.

Em linha com o BofA, a recomendação é underweight (exposição abaixo da média) para a YPF, destacando os grandes desafios para a YPF financiar seu nível de capex necessário sem injeções de liquidez significativas na empresa.

Ação barata, com incertezas no radar

O Itaú BBA também retomou a sua recomendação para a Petrobras para marketperform (desempenho em linha com a média do mercado), com preço-alvo de R$ 28 para os ativos preferenciais. Os analistas, liderados por Andre Hachem, destacam que a ação está barata, mas há muitas incertezas no radar.

A equipe de análise aponta que as datas mais importantes são os dias após 1º de maio de 2021, com o fim da subvenção do PIS/COFINS sobre o diesel, que terá validade durante os meses de março e abril.

Eles destacam que Roberto Castello Branco, atual CEO da Petrobras, está comprometido com a paridade internacional, que é a principal incerteza que seu sucessor – o indicado do governo foi o general Joaquim Luna e Silva – enfrenta. “Com o subsídio sobre o preço do diesel efetivamente encerrado no final de maio, o novo CEO da Petrobras enfrentará um momento desafiador. Os preços teriam que aumentar para incorporar os impostos mais altos (a preços de hoje, isso implicaria um aumento de preço de 12%). Isso provavelmente funcionará como um teste-chave da política de preços da Petrobras”, avaliam os analistas.

No mesmo relatório, os analistas do BBA destacou as suas recomendações para a Rumo (RAIL3) e para a Hidrovias do Brasil (HBSA3), ambas com recomendação outperform, com preços-alvos respectivos de R$ 28 para RAIL3 e de R$ 10 para HBSA3.

O preço-alvo para a Rumo atribui uma probabilidade de 30% de que a expansão do Lucas do Rio Verde será concluída. “Ressaltamos que o momentum de curto prazo não é brilhante, já que as projeções de exportações menores junto com a pavimentação da BR-163 (ainda sem pedágios) podem pressionar os rendimentos e as margens. No entanto, observamos que as perspectivas de médio e longo prazo parecem fortes, e a natureza defensiva da empresa também é atrativa em tempos de maior incerteza”, avaliam os analistas.

Já sobre a Hidrovias do Brasil, os analistas avaliam que as ações HBSA3 estão baratas demais para ignorar. “Para medir a assimetria entre riscos e avaliação, criamos um cenário muito estressante (e improvável). Nesse cenário, simulamos: i) uma quebra na safra de milho; ii) volumes de longo prazo permanecendo em níveis de 6 milhões de toneladas indefinidamente; também presumimos que os preços permaneceriam estáveis ​​em termos reais; e iii) consideramos um aumento de 100 pontos-base em nosso custo de capital próprio, supondo que as taxas de juros de longo prazo aumentassem. Nessas condições, a Hidrovias seria negociada com um desconto de 25% sobre o valor da empresa e o Ebitda da Rumo de 11,8 vezes, com uma alta implícita de 17% sobre o preço atual da ação”, afirmam.

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