sábado, junho 19, 2021
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Ação da BRF fecha em alta de 4% após saltar até 14% com rumor de que JBS avalia contra-ataque a Marfrig; operação faria sentido?

As ações da companhia de alimentos BRF ([ativo=BRFS3) chegaram a saltar 14,35% no início dos negócios na B3 nesta sexta-feira. O movimento ocorreu após notícia do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, de que a rival JBS ([ativo=JBSS3]) estuda um contra-ataque à Marfrig (MRFG3) para supostamente avançar sobre o controle da dona das marcas Sadia e Perdigão.

Os ganhos, contudo, amenizaram fortemente logo na primeira hora do pregão, movimento que se manteve no início da tarde. Os ativos BRFS3 fecharam com alta de 3,94%, a R$ 29,05.

Confira o movimento das ações no gráfico abaixo: 

*Fonte: B3

Procurada pela Reuters, a JBS disse que não comenta especulações de mercado.

Sérgio Berruezo, analista da Ativa Investimentos, destaca que não há fontes oficiais sobre o assunto, nem declarações das empresas envolvidas. Portanto ainda é cedo para chegar a quaisquer conclusões sobre o caso. No entanto, ele enxerga um possível entrave com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste, caso a JBS decida realmente ir adiante com essa operação, uma vez que ela já controla a Seara, principal concorrente da BRF.

Na mesma linha, o Itaú BBA destaca que uma transação de compra de ativos da BRF pela JBS seria complexa e exigiria muito tempo. “Embora reconheçamos que a JBS tem mais poder de fogo do que a Marfrig em termos de geração de caixa e também de níveis de alavancagem, acreditamos que esse movimento seria muito complexo. Há dois pontos a serem lembrados: i) do ponto de vista da execução, a BRF é uma empresa de grande porte e a integração cultural exigiria muito esforço e; ii) do ponto de vista antitruste, a combinação das operações da Seara e da BRF no Brasil resultaria em uma participação de mercado significativa”, avaliam os analistas.

Por conta desses fatores, a transação provavelmente passaria por um processo rigoroso (e longo) de devida diligência, que poderia resultar na necessidade de separar partes das operações para garantir a aprovação regulatória. Só então teria início o processo de integração cultural, que também demandaria muito esforço e tempo. Assim, a operação JBS-BRF só se justificaria com grandes sinergias no radar para essa transação.

O movimento da JBS, maior produtora global de carnes, ocorreria depois de a Marfrig ter se tornado recentemente a maior acionista individual da BRF, num movimento que surpreendeu o mercado.

Nas últimas semanas, a Marfrig realizou diversas operações de aquisições de ativos da BRF através de opções e da compra em leilões realizados em Bolsa. No agregado, a participação da produtora de carne bovina no capital da companhia pode chegar a 31,66%. Isso colocaria a empresa perto dos limites estabelecidos no estatuto da BRF para acionistas minoritários. Veja mais clicando aqui.  

Se as opções forem integralmente exercidas pela Marfrig, a empresa passará a deter até 257.267.671 de papéis da produtora de alimentos. Isso não só consolidaria a Marfrig como a maior acionista da BRF como a aproximaria da cláusula de “poison pill” da companhia.

O “poison pill”, incluído no estatuto social da BRF, determina que qualquer acionista que se torne titular de 33,33% das ações da empresa terá de divulgar este fato e lançar, em até 30 dias contados a partir da aquisição mais recente, uma oferta pública de aquisição (OPA) para todos os demais acionistas.

Leia também: Quanto faturam e quais marcas têm BRF, JBS, Marfrig e Minerva? Quadro compara frigoríficos e explica preferências dos analistas

O preço da OPA embutiria um prêmio de 40% sobre a média de preço das ações da BRF nos 120 dias anteriores e também nos 30 dias anteriores.

Entretanto, a Marfrig informou que as compras têm o objetivo de diversificar seus investimentos no setor de proteína, e que não pretende alterar o controle ou a estrutura administrativa da BRF. Além disso, a empresa controlada por Marcos Molina disse que não busca eleger membros para a administração da empresa ou influenciar em suas atividades.

Cenários no radar

O Itaú BBA destaca ainda que a disponibilidade de ações é mais escassa do que quando a Marfrig adquiriu sua participação. Olhando para a atual estrutura acionária da BRF, o free float disponível é de aproximadamente 39,55%, o que também tornaria, na opinião dos analistas, muito mais difícil para a JBS adquirir uma participação considerável sem impactar materialmente os preços das ações.

Eles também apontam que, do ponto de vista da JBS, o cenário competitivo não mudaria muito se a Marfrig adquirisse a BRF (pelo menos no curto prazo), algo que segue no radar do mercado apesar das negativas da Marfrig.

Isso porque a a nova companhia resultante da operação provavelmente arcaria com um elevado endividamento, o que seria um fator limitante à sua capacidade de investimento no curto prazo, além de indicar que a empresa também teria que realizar uma integração cultural.

Já do ponto de vista da Marfrig, apontam os analistas do BBA, uma transação JBS-BRF poderia ser positiva para a empresa focada em carne bovina.

A primeira leitura da Marfrig é de que, por ser a maior acionista da BRF, se beneficiaria se a JBS se mobilizasse para adquirir ações da BRF, o que elevaria o preço das ações.

Além disso, se a transação entre JBS e BRF acontecesse, a primeira companhia provavelmente teria que se desfazer de uma parte das operações da BRF (ou Seara) e a Marfrig seria um comprador natural – provavelmente a um preço mais baixo. Já uma eventual venda de sua participação na BRF não sobrecarregaria o balanço da Marfrig e poderia dar mais poder de fogo para investimentos.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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