sexta-feira, julho 1, 2022
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Bolsonaro dá motivo

Um bom advogado que tivesse a impossível condição de ser ouvido pelo presidente, aconselharia Jair Bolsonaro a parar o quanto antes de produzir provas contra si. “Me dê motivo, para ir embora…”, ele parece cantarolar à moda de Tim Maia a cada vez que abre a boca para agredir as regras institucionais vigentes.

A prova mais contundente Bolsonaro produziu na entrevista à rádio Jovem Pan nesta quarta-feira (04.08), logo após o ministro Alexandre de Moraes tê-lo incluído como investigado no inquérito que apura as autorias e o financiamento das plataformas de produção de notícias falsas.
O presidente disse que poderá reagir atuando “fora das quatro linhas da Constituição” e, assim, tornou uma constatação e não mais uma ilação a tendência dele de extrapolar os limites legais do exercício do poder.

Em outro campo, o da Justiça Eleitoral, já de saída, antes de qualquer apuração, Bolsonaro fornece materialidade a três pontos do inquérito do TSE que pode levá-lo à inelegibilidade em 2022: uso indevido dos meios de comunicação social, propaganda eleitoral extemporânea e abuso do poder político.

O primeiro está claro na utilização da TV Brasil, pública, para a disseminação de desinformações; o segundo está estabelecido no palanque em que Bolsonaro transformou o governo com vista à reeleição; o abuso do poder político se configura no uso da estrutura do Palácio do Alvorada para a transmissão das lives em que no lugar de fazer comunicações de governo, faz discursos de cunho eleitoral.

São muitos os motivos que o presidente da República tem dado para ir embora antes do tempo ou sem um segundo mandato. Arrisca-se, assim, a que em algum momento um deles seja aceito.

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