domingo, setembro 26, 2021
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Aliados tentam impedir que Bolsonaro mate agenda propositiva do governo

Jair Bolsonaro sequestrou a agenda política do país há semanas, quando iniciou sua cruzada contra o sistema eleitoral e os ministros do Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Levou um tempo, mas no dia 9 do mês passado a Câmara gastou o valioso tempo dos parlamentares para debater e sepultar o voto impresso.

Bolsonaro então tratou de mudar de discurso, mas não de rota. Continuou minando o ambiente político e a relação entre os poderes ao estimular os atos antidemocráticos do 7 de setembro. A lista de alvos também cresceu. Além de Barroso e Moraes, entraram na mira Luiz Fux e o Congresso.

O presidente da República, em campanha à reeleição, há tempos não demonstra o interesse de exercer o ofício de governar o país. Não há, na agenda dele, movimentos para resolver questões urgentes da população como a escalada de preços no mercado, a gasolina a 7 reais, o gás de cozinha a 120 reais, o desemprego, a renda precária e o risco de apagão.

O presidente ignora apelos de aliados, como Arthur Lira, que clamam por tranquilidade política para discutir temas mais delicados, como o avanço de reformas no funcionalismo e no sistema tributário. Com a radicalização do discurso presidencial, elevada nesta terça, até aliados reconhecem que o presidente sacrificou a agenda propositiva e reformista do governo.

Com tantos problemas para resolver, Bolsonaro investe no caos para tentar fidelizar uma fatia do eleitorado, ainda que isso custe a própria agenda de ministros como Paulo Guedes e Tarcísio de Freitas. Afinal, que investidor virá deixar seu dinheiro num país governado por um presidente que fala dia sim e outro também que dará um golpe, ou que ataca frontalmente a Suprema Corte do país, ameaçando desrespeitar suas decisões?

O trabalho da turma que ainda pensa no Planalto, segundo um líder ouvido pelo Radar, será manter o foco em projetos e matérias de interesse do país. “Apesar do papel do presidente”, diz. “O governo não pode parar sua pauta legislativa ou sua agenda de investimentos privados. Há uma grande rodada de leilões, o mundo olha para o Brasil na questão ambiental. Precisamos ter responsabilidade”, diz.

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