domingo, setembro 26, 2021
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A enigmática resposta de Carlos Bolsonaro à quebra de sigilos pela Justiça

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que tem 2,1 milhões de seguidores no Twitter, decidiu dar uma satisfação aos seus apoiadores na rede social na manhã desta quarta-feira, 1º, a respeito da decisão da Justiça do Rio de Janeiro de quebrar os seus sigilos fiscal e bancário em investigação que apura o emprego de funcionários fantasmas e a prática de rachadinha em seu gabinete na Câmara Municipal.

A resposta, no entanto, foi enigmática, como a maioria dos posts do filho Zero Dois do presidente Jair Bolsonaro. “Na falta de fatos novos, requentam os velhos, que obviamente não chegaram a lugar nenhum, e trocam a embalagem para empurrar adiante a narrativa. Aos perdedores, frustrados por não ser o que sempre foram, restou apenas manipular e mentir. É o que mais acusam e o que mais fazem”, escreveu.

A quebra de sigilo foi originada de uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro aberta em 2019, mas os fatos investigados remontam até a 2001 e envolvem outras 25 pessoas.

Um dos núcleos investigados é o dos parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente e madrasta de Carlos, que foi chefe de gabinete do vereador na Câmara do Rio entre 2001 e 2008. Desde junho, ela e Jair Renan Bolsonaro estão morando em uma mansão no Lago Sul de Brasília avaliada em 3,2 milhões de reais, conforme mostrou a edição de VEJA que está nas bancas nesta semana. Mesmo não residindo na capital fluminense, parentes dela foram contratados pelo gabinete de Carlos. A partir de levantamentos feitos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), investigadores detectaram depósitos elevados, em espécie, na conta bancária de Ana Cristina enquanto ela trabalhava no gabinete do então enteado.

Na terça-feira, quando a quebra de sigilo se tornou pública – ela foi autorizada pela Justiça em maio –, a defesa do vereador soltou uma nota mais técnica, onde afirma que todas as movimentações financeiras consideradas atípicas por parte do vereador são “absolutamente compatíveis” com os seus rendimentos. “Com relação ao relatório do Coaf, a defesa não teve acesso ao documento para verificar o seu conteúdo, no entanto o vereador permanece à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimento às autoridades”, finaliza a nota.

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