Segundo o contador especialista em agronegócio Parajara Moraes Alves Junior, a Reforma Tributária promovida pela EC 132/2023 inaugura um novo cenário para o agronegócio brasileiro, trazendo alterações relevantes na forma de tributação, apuração e distribuição de encargos ao longo da cadeia produtiva. Em um setor altamente estratégico para a economia nacional, compreender essas mudanças é essencial para garantir competitividade, segurança jurídica e planejamento eficiente.
Ao longo deste artigo, serão explorados os principais impactos da reforma, seus desafios práticos e as oportunidades que surgem com o novo modelo. Se você atua no agronegócio ou acompanha o tema, este conteúdo oferece um guia claro para orientar decisões mais seguras.
Por que a reforma tributária afeta diretamente o agronegócio?
O agronegócio possui características específicas que o tornam particularmente sensível a mudanças tributárias. Na análise de Parajara Moraes Alves Junior, a complexidade das cadeias produtivas, aliada à diversidade de regimes fiscais, exige atenção redobrada diante da unificação de tributos proposta pela reforma.
Conforme se observa na prática, o setor opera com margens muitas vezes pressionadas por fatores externos, como clima e mercado internacional. Nesse contexto, qualquer alteração na carga tributária ou na forma de apuração pode impactar diretamente a rentabilidade. A reforma não deve ser analisada apenas sob o aspecto legal, mas também sob a ótica estratégica e operacional.
Quais são as principais mudanças da EC 132/2023?
A EC 132/2023 introduz um novo sistema baseado na tributação sobre o consumo, substituindo diversos tributos por modelos mais simplificados. No entendimento de Parajara Moraes Alves Junior, essa mudança representa uma tentativa de reduzir distorções e aumentar a transparência do sistema.
Entre as principais alterações que impactam o agronegócio, destacam-se:
- Substituição de tributos como PIS e Cofins por novos impostos sobre valor agregado;
- Criação do IBS e da CBS, com incidência mais uniforme ao longo da cadeia;
- Implementação do princípio da não cumulatividade plena;
- Mudanças na forma de creditamento tributário;
- Previsão de regimes específicos para determinados segmentos do agronegócio.
Essas mudanças alteram significativamente a dinâmica de custos e precificação. A correta compreensão dessas novas regras será determinante para evitar perdas financeiras e aproveitar possíveis ganhos de eficiência.

Como o novo modelo impacta a cadeia produtiva?
A cadeia do agronegócio envolve diversos agentes, desde produtores rurais até indústrias e distribuidores. O novo modelo tende a redistribuir a carga tributária ao longo dessas etapas, exigindo ajustes na forma como cada elo opera.
Ademais, a não cumulatividade plena pode representar um avanço importante, desde que o sistema de créditos funcione de maneira eficiente. Conforme se observa, a possibilidade de compensar tributos pagos em etapas anteriores tende a reduzir distorções, mas exige controle rigoroso das operações. Nesse cenário, a gestão tributária ganha protagonismo e passa a ser um diferencial competitivo.
Quais desafios práticos surgem com a reforma?
Apesar das promessas de simplificação, a implementação da reforma traz desafios relevantes. Um dos principais pontos envolve o período de transição, que pode gerar insegurança e exigir adaptação gradual dos sistemas e processos internos.
Outro desafio está relacionado à necessidade de capacitação das equipes. Conforme ressalta Parajara Moraes Alves Junior, compreender as novas regras e aplicá-las corretamente exige investimento em conhecimento e tecnologia. Sem esse preparo, o risco de erros aumenta, comprometendo a eficiência e a conformidade das operações.
Como se preparar para o novo cenário tributário?
A preparação para a reforma deve começar o quanto antes, com uma abordagem estratégica e integrada. De acordo com boas práticas de gestão, o primeiro passo consiste em mapear os impactos específicos no negócio, considerando atividades, regimes e estrutura operacional.
Além disso, é fundamental revisar processos internos e investir em sistemas que permitam maior controle e rastreabilidade das operações. Conforme aponta Parajara Moraes Alves Junior, a adaptação tecnológica será um dos pilares para garantir conformidade e eficiência no novo modelo. Empresas que se anteciparem tendem a reduzir riscos e aproveitar melhor as oportunidades criadas pela reforma.
O que esperar do futuro tributário no agronegócio?
Em síntese, a Reforma Tributária representa uma mudança estrutural que vai além de ajustes pontuais. Trata-se de uma transformação que exige mudança de mentalidade e revisão de práticas consolidadas ao longo dos anos.
Nesse contexto, o agronegócio terá que se adaptar rapidamente para manter sua competitividade. A adoção de uma gestão tributária estratégica, aliada ao acompanhamento constante das regulamentações, será essencial para navegar nesse novo cenário com segurança e eficiência.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


